Marcola, líder do PCC, ajusta medicação após sintomas de ansiedade

Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), teve sua dosagem de clonazepam aumentada devido a um quadro de ansiedade e insônia. A mudança foi registrada em um documento da Penitenciária Federal de Brasília, onde Marcola está detido.

De acordo com o registro, a dosagem do medicamento, que é utilizado no tratamento de crises epilépticas, transtornos de ansiedade e síndrome do pânico, passou de um comprimido de 2 mg para um comprimido e meio, totalizando 3 mg por noite. O ajuste ocorreu após Marcola ser avaliado em consultas de telemedicina, onde apresentou os sintomas mencionados.

Embora tenham sido identificados os problemas de saúde mental, a penitenciária afirmou que o líder do PCC não demonstrou alterações na percepção da realidade ou episódios psicóticos nos atendimentos psiquiátricos. Em uma consulta com a psicóloga da unidade, Marcola expressou desinteresse em retornar à psiquiatria, conforme indicado nos documentos.

O advogado de Marcola, Bruno Ferullo, emitiu uma nota esclarecendo que o aumento da medicação foi resultado de uma avaliação clínica feita por um profissional de saúde capacitado, respeitando os protocolos de atendimento do sistema penitenciário. Ferullo reforçou que a assistência à saúde é um direito garantido a todos os detentos pela legislação brasileira.

Além dos problemas relacionados à saúde mental, Marcola também tem relatado outras questões médicas, como gastrite e uma lesão no ligamento do joelho. Desde que foi preso em março de 2019, o líder do PCC teve que sair da penitenciária em diversas ocasiões para realizar exames e consultas médicas, com a última saída registrada em junho do ano passado.

Investigações e denúncias contra Marcola

Marcola se destaca como uma figura central nas investigações acerca do PCC. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou que a facção criminal chegou a elaborar um plano para resgatar o líder da prisão. Recentemente, o MPSP também denunciou Marcola e seus familiares por lavagem de dinheiro, em uma ação que faz parte da Operação Vérnix. Entre os citados na denúncia estão a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, além de parentes como seu irmão e sobrinhos.

A defesa de Marcola, ao comentar as informações sobre o ajuste na medicação, ressaltou que todas as alterações na dosagem são baseadas em critérios clínicos e não estão relacionadas ao processo judicial do detento. A proteção da privacidade dos dados médicos e a dignidade do assistido também foram enfatizadas, de acordo com a legislação que rege a ética médica.