Belo Horizonte – A decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) de lançar uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais trouxe à tona uma acirrada disputa interna. De um lado estão os apoiadores da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, que defendem sua candidatura ao governo; do outro, aqueles que preferem que ela permaneça na corrida pelo Senado.
Desde que o plano inicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era apoiar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), foi frustrado com a decisão de Pacheco de não concorrer, o PT mineiro tem enfrentado dificuldades em encontrar um consenso em torno de um nome forte para a chapa. A situação se agravou e agora a discussão sobre a candidatura passou a ser uma preocupação em Brasília.
A maioria dos membros do PT em Minas acredita que Marília é a figura ideal para atrair diversos apoios de grupos e partidos diferentes na disputa. No entanto, essa visão é contestada por sua base, que propõe uma aliança mais ampla, considerando a possibilidade de apoiar um candidato externo à federação.
No último sábado (27/6), Marília reafirmou sua posição durante um evento no norte de Minas. “Antes de deixar a Prefeitura de Contagem, deixei claro que minha prioridade era ser pré-candidata ao Senado”, declarou. Ela também destacou a importância de formar uma frente unificada, envolvendo o PT, o MDB, o PSB e possivelmente o PDT, para criar um projeto sólido para Minas Gerais.
Lula e as Negociações
O impasse dentro do PT levou Lula e o presidente nacional do partido, Edinho Silva, a intensificar as negociações com Marília, na esperança de convencê-la a reconsiderar seus planos eleitorais. Edinho tem uma reunião agendada com a ex-prefeita neste domingo (28/6) para discutir a situação. Fontes revelam que essa conversa será crucial para entender se Marília se manterá firme em sua decisão ou se abrirá espaço para um entendimento.
Caso Marília se mantenha irredutível, o PT deverá explorar outras alternativas. Entre as opções, está a possibilidade de apoiar um candidato de outra legenda, como Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB) ou Jarbas Soares Júnior (PSB). Reginaldo Lopes, deputado estadual, também é cogitado como uma alternativa petista, embora ele tenha manifestado interesse em ser candidato ao governo em outras ocasiões.
Alianças em Discussão
A busca por alianças se estende também ao PDT, com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, mantendo contato frequente com Edinho Silva. Lupi reconhece que a disputa em Minas se tornou complexa e está empenhado em resolver os conflitos entre Kalil e a direção estadual do PT. Em suas declarações, Lupi ressaltou a importância da unidade e defendeu que a aliança com o PT seria benéfica.
Com os desafios crescendo, o PT em Minas Gerais se vê em uma encruzilhada, onde a capacidade de unir forças e construir uma chapa competitiva será essencial para os próximos passos da campanha eleitoral.




