O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem acelerado suas viagens pelo Brasil, motivado pela proximidade do prazo para inaugurações, conforme as normas eleitorais. A partir de 4 de julho, candidatos ficam impedidos de participar de inaugurações e eventos que possam ser considerados propaganda antecipada, um período conhecido como "defeso eleitoral".

Nos últimos dias, Lula tem priorizado estados onde seu desempenho foi abaixo do esperado nas eleições de 2022. Desde segunda-feira (22 de junho), ele cumpriu agendas no Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com planos de viajar para Santa Catarina, bastião do bolsonarismo.

No Rio de Janeiro, Lula formalizou apoio ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que é visto como uma peça chave para fortalecer sua presença no estado, especialmente após ter sido superado por Jair Bolsonaro (PL) nas eleições do ano passado. Na disputa do segundo turno, Bolsonaro obteve 56,53% dos votos, enquanto Lula ficou com 43,47%. Com o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, o estado é considerado estratégico para a reeleição do presidente.

Em São Paulo, Lula se reuniu com o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) e aliados para discutir estratégias para as eleições de outubro. A chapa paulista contará com Márcio França (PSB) na vice, enquanto as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) disputarão o Senado. No ano passado, Lula também enfrentou dificuldades no maior colégio eleitoral do país, onde obteve 44,76% dos votos contra 55,24% de Bolsonaro.

O "defeso eleitoral" começa três meses antes do primeiro turno e se estende até a posse dos novos eleitos, visando garantir a igualdade de condições entre os candidatos. Durante esse período, várias restrições são impostas aos agentes públicos, como a proibição de inaugurações e publicidade institucional, exceto em situações de emergência reconhecidas pela Justiça Eleitoral.

Lula também tem se concentrado em estados onde enfrenta desafios maiores, como Mato Grosso do Sul, que é um bastião do agronegócio. Na última eleição, o presidente ficou atrás de Bolsonaro com 59,49% dos votos, contra 40,51% de Lula. Durante sua visita à região, ele participou de compromissos em Ponta Porã e Três Lagoas, incluindo uma visita a uma fábrica de fertilizantes e a entrega de obras de reforma agrária.

Além disso, Lula expressou apoio ao pré-candidato ao governo Fábio Trad (PT) e reforçou a importância de ampliar a bancada do partido no estado, destacando a colaboração com partidos aliados.

Já em Santa Catarina, onde Lula enfrentou uma derrota expressiva nas últimas eleições, ele participará do lançamento de uma embarcação da Marinha. O estado foi favorável a Bolsonaro, que obteve mais de 69% dos votos no segundo turno. O atual governador Jorginho Mello (PL-SC), que busca a reeleição apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é um adversário forte, liderando as pesquisas de intenção de voto.

Durante sua visita, Lula criticou Mello por não firmar parcerias com o governo federal, questionando a qualidade de sua liderança e ressaltando a importância de priorizar os interesses do estado. "Nós investimos R$ 3,2 bilhões em rodovias neste estado", afirmou, enfatizando a necessidade de colaboração entre os governos para o bem-estar da população.