A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está direcionando sua atenção para o eleitorado feminino, reconhecendo sua importância estratégica na corrida eleitoral. Representando mais da metade dos eleitores do Brasil, as mulheres têm ganhado destaque nas ações do petista, que planeja um encontro em Belo Horizonte no próximo sábado (29/8) com líderes femininas de todo o país.
O evento visa reunir cerca de 5 mil mulheres, entre candidatas e aliadas políticas, para discutir temas relevantes como o combate à violência de gênero, igualdade salarial, saúde e a necessidade de aumentar a participação feminina em espaços de decisão. Com 83,8 milhões de eleitoras, o segmento representa 52,83% do total de eleitores no Brasil.
Pesquisas recentes indicam que Lula possui uma vantagem significativa entre as mulheres em comparação ao seu principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com dados da Quaest, o presidente tem 47% das intenções de voto entre o público feminino, contra 35% do candidato do PL. A estratégia do PT é intensificar a proximidade com as eleitoras para ampliar essa diferença.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por outro lado, tem enfrentado desafios em suas tentativas de se conectar com o eleitorado feminino. Em um evento recente, o senador fez uma declaração controversa ao afirmar que suas filhas são responsáveis por cuidar dele na velhice. Além disso, sua escolha de um vice que está sob investigação por suspeitas de crimes contra vulneráveis gerou ainda mais críticas.
O atual cenário eleitoral revela uma intensa disputa pelo voto feminino. Lula tem promovido diversas iniciativas voltadas a esse público, com destaque para o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, que busca unir esforços dos três Poderes para combater a violência contra as mulheres. Flávio também apresentou o plano “Brasil por Elas”, que inclui propostas voltadas para a autonomia financeira e segurança feminina, contando com o apoio de figuras como as senadoras Damares Alves e Tereza Cristina.
Além de Lula e Flávio, outros candidatos à presidência estão tentando conquistar o voto feminino, embora apenas duas mulheres estejam na disputa: Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC). Para o presidente, as eleitoras são fundamentais não apenas pelo seu número, mas também por serem as principais beneficiárias de programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
A secretária nacional de Movimentos Populares do PT, Lucinha do MST, ressaltou que as políticas implementadas durante as gestões petistas beneficiaram diretamente as mulheres. Em seus discursos, Lula tem enfatizado o combate à violência como uma prioridade de seu eventual quarto mandato.
Outro foco da campanha é a atuação da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que está desenvolvendo uma agenda própria para interagir com as eleitoras. Desde o início da campanha, ela tem atuado como uma porta-voz do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e participado de eventos políticos, destacando a relevância das mulheres na reeleição de Lula.
Durante a convenção que oficializou sua candidatura, Lula fez questão de chamar Janja ao palco, reconhecendo a importância do público feminino em sua campanha. A primeira-dama, por sua vez, homenageou a ex-esposa de Lula, Marisa Letícia, e convocou as mulheres para se engajar na campanha.




