Mapa da corrida eleitoral: Lula e Flávio lideram deslocamentos pelos estados
O primeiro mês da campanha para a Presidência da República revelou prioridades geográficas bem definidas entre os postulantes ao Palácio do Planalto. Em um cenário marcado por agendas intensas no primeiro mês de mobilização oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) despontaram como os candidatos com maior amplitude territorial, registrando presença em 11 unidades da Federação cada um.
A despeito da igualdade no número de estados visitados, as diretrizes táticas de ambos divergiram consideravelmente. Enquanto o atual chefe do Executivo dividiu seu tempo entre a máquina governamental e palanques estratégicos, o parlamentar conservador concentrou esforços na mobilização direta de sua base e no avanço sobre regiões chaves do agronegócio e do Norte do país.
Equilíbrio entre agenda institucional e articulação política
Durante metade do período analisado, Lula permaneceu sediado em Brasília. Em sua rotina na capital federal, o presidente alternou despachos de governo — como a assinatura de decretos voltados à saúde pública, mudanças tributárias sobre compras internacionais e o lançamento do regime especial para datacenters (Redata) — com anúncios de grandes obras infraestruturais no Nordeste, incluindo projetos de transposição hídrica e mobilidade urbana.
No plano estritamente eleitoral, a estratégia do petista priorizou grandes centros urbanos e alianças consolidadas. O presidente esteve em São Paulo por três vezes, além de cumprir roteiros no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Em seus deslocamentos, buscou fortalecer palanques regionais de aliados de peso, além de promover encontros com o setor financeiro e lideranças religiosas.
Mobilização de rua e avanço sobre o Norte
Por sua vez, Flávio Bolsonaro estabeleceu São Paulo — centro de comando de sua infraestrutura eleitoral — e o Rio de Janeiro, seu berço político, como os pilares de sua atuação diária. Contudo, o senador foi o único entre todos os postulantes a realizar uma incursão à Região Norte, cumprindo compromissos no Amazonas, Pará e Roraima, onde dialogou com representantes das indústrias locais e do agronegócio.
A tática da candidatura do PL focou na demonstração de força popular por meio de grandes eventos públicos, como carreatas, motociatas e passeatas náuticas, além de participação em feiras tradicionais e atos de grande apelo conservador. A pauta da segurança pública, com discussões sobre modelos internacionais de combate ao crime, permaneceu no centro do seu discurso.
A concentração dos demais postulantes na Região Sudeste
Entre os outros nomes na disputa, a tática predominante foi a fixação no Sudeste — maior colégio eleitoral do país —, complementada por participações em sabatinas midiáticas e debates televisivos:
- Ronaldo Caiado (PSD): Passou 23 dias em território paulista, além de passagens pontuais pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Sul. Sua presença concentrou-se majoritariamente no Centro-Oeste, sem agendas no Norte ou Nordeste.
- Romeu Zema (Novo): Apresentou forte presença no Sudeste, com 19 viagens registradas, além de ter sido o candidato com maior frequência na Região Sul.
- Augusto Cury (Avante): Dedicou a quase totalidade dos dias iniciais aos três maiores estados do Sudeste, sem registrar passagens pelas regiões Norte e Nordeste.
- Renan Santos (Missão): Embora tenha focado a maior parte do tempo em São Paulo, realizou incursões a quatro estados nordestinos e ao Sul do país.



