Em uma ofensiva diplomática e política direta em Washington, representantes da ala conservadora brasileira voltaram a acionar os canais institucionais dos Estados Unidos para pressionar o Judiciário do Brasil. O ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo mantiveram audiência formal com membros da administração do presidente Donald Trump no Departamento de Estado norte-americano, em uma cartada que visa impor medidas de retaliação financeira a integrantes da mais alta corte do país.
Investida no Departamento de Estado
Durante a reunião, realizada em solo americano, a comitiva brasileira apresentou pleitos específicos para a aplicação de sanções direcionadas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. A iniciativa ocorre em um momento de acentuada atenção institucional e no dia subsequente a debates internos da corte suprema a respeito de apurações envolvendo o próprio magistrado Moraes.
O foco central do requerimento diz respeito à reaplicação de punições econômicas por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), braço executivo do Departamento do Tesouro dos EUA. Segundo detalhou Figueiredo, a intenção é recolocar Moraes na chamada lista de Cidadãos Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas (SDN). Embora o magistrado tenha sido retirado dessa listagem ao final de 2025, o argumento sustentado junto às autoridades americanas é de que o enquadramento sob a Lei Global Magnitsky permanece juridicamente válido.
Ampliação dos alvos e mecanismos de pressão
A estratégia formulada em Washington busca expandir a abrangência das sanções para além do ministro relator de inquéritos sensíveis. Na avaliação exposta aos membros do governo republicano, há fundamentação necessária para punir igualmente os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes. O argumento utilizado alega que ambos os magistrados estariam prestando apoio material a um indivíduo formalmente designado sob a legislação de sanções internacional.
- Reativação no OFAC: Pedido de retorno de Alexandre de Moraes à lista SDN do Tesouro americano.
- Extensão a pares: Enquadramento de Gilmar Mendes e Flávio Dino por suposta colaboração material.
- Articulação política: Aproximação direta com setores estratégicos da administração Trump.
Desdobramentos e projeções
Analistas internacionais observam o movimento como um esforço sistemático de internacionalização do debate sobre a atuação do Judiciário brasileiro. Ao classificar os encontros na capital estadunidense como extremamente cordiais e próximos, os articuladores sinalizam a expectativa de decisões desfavoráveis aos magistrados por parte do governo norte-americano nos próximos ciclos institucionais.
Até o momento, órgãos governamentais dos Estados Unidos e as assessorias dos ministros citados mantêm a postura analítica sobre o teor das tratativas diplomáticas, enquanto o Supremo Tribunal Federal segue com seu calendário regimental de julgamentos.


