O Partido dos Trabalhadores (PT), sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está adotando uma nova abordagem para as eleições de 2026. Em um movimento que marca uma mudança significativa em sua estratégia, o partido decidiu abrir mão da candidatura a governador em metade dos estados brasileiros, priorizando alianças mais robustas e competitivas.
Até agora, Lula é o único pré-candidato a presidente que conseguiu firmar palanques em todas as unidades federativas do país. Entretanto, o PT lançará candidatos ao governo em apenas 12 estados e no Distrito Federal. O restante do território será coberto por alianças com outros partidos, alguns dos quais não apoiarão Lula na corrida presidencial.
Candidatos do PT nas eleições de 2026
Na busca por fortalecer sua presença política, o PT decidiu apoiar o PSD em cinco estados, entre eles Mato Grosso, Sergipe, Amazonas, Tocantins e Rio de Janeiro, onde o pré-candidato a presidente é Ronaldo Caiado. Em Alagoas e no Pará, o partido se unirá ao MDB, que dará liberdade aos diretórios estaduais para decidirem seu apoio ao Planalto.
Além disso, a sigla de Lula manifestou apoio ao PP na Paraíba e ao União Brasil no Amapá. Esses partidos fazem parte da Federação União Progressista, que, recentemente, optou por manter uma postura neutra em relação à eleição presidencial deste ano.
Uma Nova Direção Estratégica
Lula enfatizou, em declarações recentes, a necessidade de buscar composições com partidos que, embora não alinhados ao seu pensamento, estão dispostos a construir projetos viáveis para seus estados. Essa estratégia contrasta com o histórico do PT, que na década de 1990, costumava lançar uma grande quantidade de candidatos a governador como forma de se opor aos governos locais.
A tática do partido sofreu uma alteração em 2002, quando o foco passou a ser a formação de alianças pragmáticas, visando o fortalecimento da candidatura de Lula. A fórmula se repetiu em eleições posteriores, reduzindo gradativamente o número de postulantes do PT a governador. Em 2014, o partido lançou 17 candidatos, mas desde então, o número tem diminuído.
Olhos no Senado
Com 54 cadeiras do Senado em jogo, a estratégia de Lula foca na eleição de senadores que possam garantir suporte em um eventual quarto mandato. Segundo Edinho Silva, presidente do PT, o sucesso no Senado é crucial para fortalecer a democracia brasileira e limitar a ascensão de pensamentos autoritários no legislativo.
Nove ministros do governo Lula foram convidados para concorrer a vagas no Senado, enquanto apenas Renan Filho (MDB) buscará uma posição de governador, em Alagoas. O partido também planeja focar na reeleição dos governadores já conquistados em 2022, como o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Desafios nas Pesquisas Eleitorais
As pesquisas eleitorais atuais indicam que o PT poderá enfrentar dificuldades em suas candidaturas. No Ceará, Elmano de Freitas está em uma disputa acirrada com o ex-governador Ciro Gomes, enquanto na Bahia, Jerônimo Rodrigues aparece em segundo lugar. Por outro lado, em estados como o Piauí e o Rio Grande do Norte, os candidatos do PT estão à frente nas pesquisas.
Curiosamente, o PT não lançará candidatos a governador nos três estados da região Sul do Brasil, uma situação inédita desde 2014. Com a aliança com o PDT, Lula apoiará Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná a candidatura será de Requião Filho (PDT).




