Em um movimento que evidencia a paralisia no direcionamento de recursos para o desenvolvimento estrutural do país, o governo federal aprovou o resgate de R$ 5,8 bilhões que permaneciam retidos na tesouraria do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). Os valores serão devolvidos ao caixa geral do fundo de garantia. A decisão, respaldada pelo Voto nº 16/2026 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), gerou forte insatisfação do ministro Luiz Marinho, que cobrou mudanças profundas na condução do mecanismo.
O diagnóstico de uma década de estagnação financeira
Dados apresentados durante a 207ª Reunião Ordinária do Conselho Curador do FGTS traçam um panorama crítico sobre a gestão do FI-FGTS. Em junho de 2026, o patrimônio líquido da carteira somava R$ 21,4 bilhões. No entanto, mais de 25% desse montante encontrava-se totalmente parado, sem destinação para novos empreendimentos.
O levantamento da equipe técnica do MTE revelou ainda que o FI-FGTS não realiza novos aportes financeiros em projetos de infraestrutura desde 2016. Desde a sua criação, em 2007, o fundo integralizou R$ 22,9 bilhões e registrou R$ 29,8 bilhões em resgates, evidenciando uma trajetória em que a retirada de recursos superou a aplicação em novos negócios.
Marinho questiona gestão e aponta falta de capacidade técnica
Durante o encerramento da reunião do conselho, em Brasília, Luiz Marinho rebatheu a tese de que o patamar das taxas de juros seja o fator determinante para o represamento de capital. O ministro defendeu que há demandas reais por investimentos no país e colocou sob suspeita a capacidade da equipe responsável pela seleção das propostas.
Para o titular da pasta, é injustificável a devolução de recursos por escassez de projetos em um mercado com tantas necessidades estruturais. Marinho sinalizou a intenção de buscar suporte técnico externo caso fique demonstrada a falta de expertise interna para avaliar e aprovar propostas de investimentos estratégicos.
Negociações para reformulação e próximos passos
O esvaziamento do fundo ocorre após sucessivas tentativas frustradas de reativação por parte do Conselho Curador. Medidas como a abertura de chamadas públicas, o estabelecimento de grupos de trabalho e a repactuação da taxa de administração paga à Caixa Econômica Federal não surtiram o efeito esperado para alavancar novas contratações.
Atualmente, o Ministério do Trabalho conduz conversas com a Caixa Econômica Federal e o BNDES para desenhar um novo modelo estrutural para o FI-FGTS. O ministro cobrou empenho da bancada patronal e determinou que o secretário de Trabalho, Carlos Augusto, defina alternativas viáveis junto à Caixa até a reunião do comitê do FI-FGTS, agendada para o final de setembro de 2026, data em que o próprio ministro pretende comparecer pessoalmente para cobrar resultados.


