O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou a destinação de R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares para três cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no estado do Paraná. Esta decisão levanta discussões sobre a relação política entre os beneficiários e a base eleitoral da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que é namorada de Lindbergh.
Os recursos, que foram liberados no ano passado, foram utilizados através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O montante alocado para as cooperativas paranaenses é 2,5 vezes maior do que o que Lindbergh destinou para a agricultura familiar em seu próprio estado, o Rio de Janeiro, onde foram apenas R$ 680 mil.
As cooperativas contempladas incluem a Cooperativa de Comercialização Camponesa Vale do Ivaí (Cocavi), que recebeu R$ 1,06 milhão. Localizada em Jardim Alegre, a Cocavi foi visitada por Gleisi em abril deste ano, o que gera uma conexão ainda mais forte entre os recursos e a base da ministra. Em suas redes sociais, Gleisi expressou sua satisfação ao participar das celebrações de 29 anos do Assentamento Oito de Abril, destacando a importância do trabalho das 550 famílias envolvidas.
A emenda que beneficiou a Cocavi foi apresentada em 2024, mas o empenho dos recursos só aconteceu em novembro de 2025, meses após a visita de Gleisi ao assentamento. Além da Cocavi, Lindbergh alocou R$ 374 mil para a Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agrícola Ribeirão Vermelho (Coprari), em Centenário do Sul, e R$ 260 mil para a Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon), em Londrina.
Recentemente, o ministro Flávio Dino instituiu uma proibição sobre o envio de emendas para estados que não sejam aqueles pelos quais os deputados foram eleitos, citando preocupações sobre distorções e favorecimentos políticos. Dino intimou dirigentes dos partidos representados no Congresso a esclarecer se possuem alguma influência sobre a destinação das emendas, o que aumenta a pressão por transparência nesse processo.
Vale ressaltar que Gleisi Hoffmann exerceu seu mandato de deputada federal até março de 2025, quando assumiu a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, renunciando também à presidência do Partido dos Trabalhadores (PT). O cenário político se complica ainda mais após um relatório da Polícia Federal (PF) indicar que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teria influenciado a destinação de R$ 119 milhões em emendas parlamentares.
Valdemar, em entrevista, defendeu sua conduta, afirmando que sempre agiu dentro da legalidade e que é frequentemente consultado por deputados e prefeitos sobre a alocação de verbas. Ele argumentou que, muitas vezes, os deputados não têm uma visão ampla do Brasil e que sua contribuição visa atender as demandas de cidades que não recebem a devida atenção.




