Em um movimento de audácia política, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) colocou seu próprio mandato parlamentar em jogo na véspera do pleito presidencial. Durante o evento de encerramento da campanha de Renan Santos (Missão), realizado no bairro da Liberdade, na capital paulista, Kataguiri declarou publicamente que renunciará à sua cadeira na Câmara dos Deputados caso o presidenciável de sua legenda obtenha menos de 3% dos votos válidos nas urnas.

O parlamentar direcionou suas críticas especificamente aos levantamentos conduzidos pelos institutos Datafolha e Quaest, prometendo formalizar o abandono do cargo de forma emblemática. O congressista afirmou que, se o partido não alcançar o patamar mínimo estipulado no domingo, entregará sua carta de renúncia diretamente diante da sede do jornal Folha de S.Paulo, desafiando a precisão das sondagens tradicionais.

Guerra de estatísticas e divergência de métodos

A declaração do congressista ocorre em um momento de acentuada disparidade entre os levantamentos demoscópicos. Divulgadas na reta final da disputa, as pesquisas mais recentes do Datafolha e da Quaest situam Renan Santos exatamente no patamar crítico de 3% das intenções de voto. No levantamento do Datafolha, o cenário é liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 42%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 4%.

Entretanto, outros levantamentos apontam um desempenho superior para o candidato do partido Missão, sustentando a tese do grupo político de que as pesquisas presenciais estariam subestimando sua força eleitoral:

  • AtlasIntel/Bloomberg: Registrou 5,2% dos votos para Renan Santos, garantindo-lhe a terceira colocação isolada em sondagem feita via recrutamento digital com mais de 5 mil eleitores.
  • Palver: Indicou o postulante com 7% da preferência do eleitorado em levantamento recente.

O debate sobre a precisão da amostragem digital

A discrepância nos índices reflete um embate metodológico duradouro nesta corrida eleitoral. Enquanto institutos tradicionais utilizam abordagens presenciais — com o Datafolha atuando em pontos de grande fluxo e a Quaest realizando entrevistas domiciliares —, a campanha de Renan Santos tem priorizado os modelos de amostragem digital, como o da AtlasIntel. Segundo a avaliação do presidenciável, as ferramentas virtuais possuem maior sensibilidade para capturar transformações orgânicas no comportamento do eleitorado na fase final da disputa.

A promessa de Kataguiri transforma o resultado das urnas em um teste duplo: além de definir os rumos do Palácio do Planalto, medirá a credibilidade das metodologias de pesquisa no país e decidirá o futuro político de uma das principais lideranças da bancada do Missão no Congresso.