A Justiça do Distrito Federal decidiu, nesta quinta-feira (30/07), transformar as detenções dos empresários Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato em prisões preventivas. Os três estão sendo investigados por um suposto esquema de fraudes relacionado à Naskar Gestão de Ativos, e a informação foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles.

A medida ocorre um dia antes do término da prisão temporária dos envolvidos, que havia sido prorrogada e terminaria nesta sexta-feira (31/07). Os empresários foram detidos durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que apura um esquema de captação fraudulenta de investimentos. As investigações revelam que o prejuízo total pode alcançar a marca de R$ 1 bilhão, afetando cerca de 500 vítimas no DF e aproximadamente 3 mil investidores em todo o Brasil.

O juiz Aimar Neres de Matos, ao acolher o pedido da PCDF com o respaldo do Ministério Público, argumentou que existem elementos suficientes que justificam a manutenção da prisão cautelar. De acordo com ele, há indícios claros de autoria e materialidade dos crimes, além de riscos à ordem pública, econômica e à própria instrução criminal, caso os investigados sejam soltos.

As investigações preliminares indicam que a Naskar e suas empresas associadas operavam por meio de um complexo sistema de captação de recursos. Os investidores eram atraídos com promessas de alta rentabilidade em contratos de mútuo, mesmo sem evidências concretas de atividades econômicas que garantissem os lucros prometidos. O juiz ressaltou que, conforme as evidências, os pagamentos feitos a investidores iniciais eram, em grande parte, oriundos de novos aportes ou de fontes não esclarecidas, reforçando a possibilidade de uma fraude financeira em larga escala.

O magistrado destacou, ainda, que as investigações apontam para uma organização empresarial estruturada para captar investimentos de forma fraudulenta, utilizando diversas empresas interligadas e uma engenharia societária complexa. Ele também observou que parte da estrutura ainda permanece em operação e que nem todos os bens associados ao esquema foram identificados.

Esse cenário gera preocupações sobre a possibilidade de continuidade das atividades fraudulentas, a ocultação de bens e a interferência nas provas, especialmente com perícias e oitivas de vítimas ainda pendentes. As alternativas de monitoramento eletrônico e outras medidas menos restritivas foram consideradas insuficientes para evitar a reorganização da estrutura investigada.

Por fim, o juiz determinou que os mandados de prisão preventiva sejam expedidos e que a necessidade de manter os empresários em custódia será reavaliada em conformidade com o Código de Processo Penal. Vale destacar que essa decisão tem caráter cautelar e não implica em uma condenação ou juízo definitivo sobre a responsabilidade penal dos acusados.