A Justiça do Rio de Janeiro tomou uma importante decisão ao permitir a quebra de sigilo do celular encontrado na cela de Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Dr. Jairinho. Ele foi condenado pela tortura e morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. O aparelho foi localizado durante uma fiscalização realizada pela Polícia Penal, na quarta-feira (1º de julho), no presídio do Complexo de Gericinó, na zona oeste da cidade.
A autorização foi concedida em resposta a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A expectativa é que a análise do conteúdo do celular possa trazer informações relevantes para investigações sobre a atuação de Jairinho enquanto ele cumpre pena.
A juíza Elizabeth Machado Louro, que presidiu o julgamento do caso, autorizou a quebra de sigilo na sexta-feira (3 de julho). De acordo com as informações do MP, a extração dos dados do celular será realizada pela Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC), que buscará possíveis indícios de contatos de Jairinho com pessoas externas ao sistema prisional.
O promotor Fábio Vieira dos Santos, em sua petição à Justiça, destacou a necessidade da investigação para esclarecer eventuais influências que Jairinho poderia ter exercido sobre outras pessoas durante sua detenção. Ele enfatizou a importância de identificar contatos e comunicações que possam ter impactado a condução do processo penal.
Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação no caso, expressou a urgência de uma investigação minuciosa sobre o uso do celular. "É fundamental descobrir como esse aparelho foi parar na cela, há quanto tempo estava em uso e quais mensagens foram trocadas. Precisamos saber com quem ele se comunicava e se houve tentativas de articulação, intimidação ou interferência nos processos legais. A presença de um celular em uma cela de um condenado por crimes tão graves não é um mero detalhe; é um sinal de privilégios, falhas e riscos", afirmou.
Na mesma semana, a Justiça também determinou, por meio de uma ordem de urgência, que Jairo Souza Santos, pai de Jairinho, se abstivesse de divulgar informações consideradas falsas sobre Leniel Borel. Além disso, a decisão incluiu a remoção de conteúdos por parte do Google.
Em 4 de junho deste ano, Jairinho foi sentenciado a 43 anos de prisão por tortura e homicídio qualificado no caso da morte de Henry Borel, que ocorreu em março de 2021. O desdobramento mais recente da investigação destaca a importância de garantir a integridade do processo judicial e a segurança das comunicações dentro do sistema penal.




