Caso Lorrayne Helloa: Julgamento da mãe tem início na Grande São Paulo

Teve início nesta terça-feira o julgamento pela via do tribunal do júri da mãe de Lorrayne Helloa, garota de apenas dois anos de idade que perdeu a vida após sofrer agressões físicas severas na residência da família, localizada no município de Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo. A sessão de julgamento ocorre após o desfecho da ação penal contra o padrasto da criança, que foi sentenciado a 35 anos de reclusão por homicídio qualificado.

Laudo pericial e denúncia do Ministério Público

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a criança foi vítima de uma rotina recorrente de violência e maus-tratos praticados pelo casal. O órgão ministerial ressaltou que a pouca idade da menina inviabilizava qualquer possibilidade de reação ou defesa, elemento que qualifica o crime praticado no âmbito doméstico.

As conclusões da perícia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) atestaram que a causa primária da morte foi uma hemorragia interna abdominal massiva, provocada por trauma contuso com laceração de grandes vasos sangrentos. De acordo com o parecer técnico da médica legista, o quadro clínico é condizente com agressões brutais, produzidas por golpes diretos de forte impacto ou pelo arremesso violento do corpo da criança contra superfícies rígidas, como paredes e o solo.

Histórico de agressões e provas anexadas

Os prontuários hospitalares integrados ao processo detalham que a bebê apresentava múltiplos hematomas distribuídos pela cabeça, face, abdômen, membros e região glútea, além de evidências compatíveis com violência física continuada. O histórico do padrasto contava com registros prévios de violência doméstica envolvendo a companheira e relacionamentos anteriores, além de relatos de testemunhas que descreveram episódios anteriores de intimidação e agressividade na presença da criança.

O tribunal do júri definirá agora o grau de responsabilização penal da mãe no caso. O trágico episódio gerou forte comoção social e reacendeu discussões sobre a identificação precoce de vulnerabilidades no ambiente familiar e os mecanismos estatais de proteção à infância.