Belo Horizonte – O juiz de segunda instância, Milton Lívio Lemos Salles, enfrentou consequências severas após ser flagrado em comportamento inadequado durante uma sessão de julgamentos online. Em uma reunião extraordinária realizada nesta terça-feira (11), o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu por unanimidade afastar o magistrado de suas funções.

As imagens que circularam revelam Salles fumando e consumindo vinho em plena audiência, o que gerou indignação e levou à suspensão imediata de seu porte de arma e do registro correspondente. Além disso, o juiz também está proibido de adentrar fóruns e outras instalações do TJMG para fins funcionais.

A decisão do tribunal reafirma uma determinação cautelar previamente emitida pelo corregedor-geral de Justiça, desembargador Vicente de Oliveira Silva. O TJMG também ordenou o bloqueio das credenciais e permissões de Salles nos sistemas do tribunal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Com o afastamento, o magistrado vê-se impedido de utilizar veículos oficiais e suas ações serão monitoradas pelo Gabinete de Segurança Institucional do TJMG. A Polícia Federal e o Exército Brasileiro também serão notificados sobre a suspensão do porte de arma.

Além disso, os casos judiciais que estavam sob a responsabilidade do juiz Salles serão redistribuídos, e um juiz de primeira instância será convocado para assumir essas funções durante o período de afastamento.

Após o incidente, o juiz Salles gravou um vídeo em que se defende das acusações, alegando ser alvo de difamação. Em suas declarações, atacou a integridade de outros membros do Judiciário, incluindo críticas ao próprio TJMG, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Estou cansado dessa difamação. Esses tribunais são todos corruptos”, declarou Salles, visivelmente abalado.

A repercussão do caso levanta questões sobre a conduta de magistrados e a necessidade de medidas rigorosas para garantir a integridade do sistema judiciário.