Um juiz militar dos Estados Unidos decidiu, na última sexta-feira (28 de agosto de 2026), que os depoimentos de Khalid Shaikh Mohammed ao FBI em 2007, na base naval de Guantánamo, não poderão ser utilizados como evidência no julgamento referente aos ataques de 11 de setembro de 2001. Essa decisão representa um revés significativo para a acusação, que contava com essas declarações como uma das principais provas no processo, que pode levar à pena de morte.

A decisão, que ainda está sob revisão de segurança e não foi divulgada oficialmente, foi confirmada por advogados que tiveram acesso ao documento de 45 páginas, segundo informações do New York Times. O tenente-coronel Michael Schrama, responsável por essa decisão, destacou que a acusação não conseguiu provar que as declarações foram feitas de forma voluntária, citando a contínua coerção psicológica exercida pela CIA durante os interrogatórios.

Os relatos indicam que durante o processo de interrogatório, os agentes do FBI não informaram Mohammed sobre seu direito de permanecer em silêncio, de consultar um advogado, nem sobre a possibilidade de suas declarações serem utilizadas no tribunal. Capturado no Paquistão em 2003, Mohammed foi interrogado pela CIA em instalações secretas fora dos Estados Unidos, onde, segundo as denúncias, foi submetido a tortura e mantido incomunicável até sua transferência para Guantánamo em 2006.

O debate jurídico gira em torno da legalidade e da admissibilidade dos depoimentos feitos por Mohammed após sua transferência para Guantánamo, já que a defesa argumenta que os anos de tortura e isolamento o condicionaram a fornecer respostas que os agentes esperavam ouvir.

A decisão do juiz representa a perda de uma prova considerada fundamental para a acusação. O contra-almirante Aaron C. Rugh, que lidera a equipe de promotores, afirmou que está avaliando a possibilidade de recorrer da decisão, e o juiz deu um prazo de cinco dias para essa decisão, com a opção de uma prorrogação de mais cinco dias.

Próximos Passos no Julgamento

O início do julgamento está agendado para 5 de junho de 2028. Além de Khalid Shaikh Mohammed, outros réus que serão julgados incluem Walid Muhammad Salih Mubarak bin 'Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali. Mohammed é considerado o principal arquiteto dos ataques que resultaram na morte de quase 3.000 pessoas em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia. Ele é acusado de ter idealizado o plano de sequestrar aviões comerciais e usá-los como armas contra alvos nos Estados Unidos, apresentando essa proposta a Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda na época.

A primeira fase do processo judicial incluirá a seleção de um painel militar que atuará como júri, seguida pela apresentação das alegações iniciais em até 30 dias após a formação do júri. O juiz já rejeitou um pedido da acusação para que o julgamento tivesse início em 11 de janeiro de 2027, considerando que o prazo era insuficiente para resolver questões relacionadas às provas e aos procedimentos anteriores ao julgamento.

O caso está sendo discutido desde 2012, e em 11 de julho de 2025, um tribunal federal de apelação confirmou a revogação de acordos feitos pelo governo em 2024 com Mohammed e outros dois réus, que permitiriam que eles se declarassem culpados em troca da não aplicação da pena de morte. A defesa já solicitou à Suprema Corte dos EUA que restabeleça esses acordos, enquanto o governo apresenta sua contestação.