O jogo do bicho e sua trajetória em Goiânia

Localizado no coração de Goiânia, um apontador do jogo do bicho, aos 66 anos, reflete sobre quatro décadas de história, marcada por mudanças significativas nos hábitos de apostas. Conhecido por suas histórias e pelo contato próximo com os apostadores, ele observa com desânimo a redução drástica de clientes.

“As apostas diminuíram muito. Hoje, meu faturamento é menos de 10% do que era há 20 anos”, revela o apontador, destacando que muitos de seus clientes estão envelhecendo e a nova geração não se engaja nas apostas tradicionais.

O impacto das novas modalidades de apostas

As novas plataformas de apostas online, como os aplicativos de bets e jogos como o Tigrinho, estão se tornando cada vez mais populares entre os jovens. Para o apontador, isso representa uma revolução no cenário das apostas: “Antes, o apostador precisava vir até mim. Agora, o jogo está na palma da mão dele”, explica.

Essa mudança é particularmente evidente entre os jovens que, mesmo após assistirem a produções documentais como “Vale o Escrito – A Guerra do Jogo do Bicho”, não se sentem atraídos a visitar as bancas. A falta de interesse dos filhos dos apostadores da velha guarda se torna um símbolo da crise de renovação do jogo do bicho.

Uma tradição em extinção?

O apontador observa que o jogo do bicho, que antes era uma prática familiar, não está sendo transmitido para as novas gerações. “Meus apostadores têm, em média, 50 anos. A maioria não traz os filhos para jogar”, lamenta.

Enquanto isso, a loteria digital continua a crescer, oferecendo um acesso mais fácil e conveniente. “As pessoas apostam em casa, no trabalho ou pelo celular. A banca física já não é mais o centro das apostas”, complementa.

Os últimos grandes prêmios e a nostalgia das apostas

Apesar do declínio, o apontador ainda guarda recordações de grandes prêmios. Recentemente, um apostador levou para casa R$ 128 mil, após apostar apenas R$ 20. “É um exemplo do que o jogo pode proporcionar, embora a maioria das apostas hoje sejam pequenas, entre R$ 5 e R$ 10”, conta.

Ele também relembra uma história pessoal que exemplifica o espírito de aposta modesta e expectativa, que sempre foi a essência do jogo do bicho. “Uma vez, ajudei uma mulher a apostar em uma centena que ela acreditava que lhe daria um tanquinho. Acabamos ganhando, e ela poderia ter apostado muito mais”, lembra, rindo.

O futuro do jogo do bicho

O jogo do bicho, criado em 1892 no Rio de Janeiro, permanece como uma parte do cotidiano brasileiro, mesmo enfrentando desafios legais e de relevância. O Supremo Tribunal Federal está atualmente debatendo a legalidade do jogo, o que pode mexer ainda mais com o cenário.

Embora o jogo do bicho tenha uma rica história, a falta de novos apostadores e a crescente popularidade das apostas digitais indicam que uma era pode estar chegando ao fim. Para os apontadores, o futuro parece incerto, mas as memórias e as histórias ainda permanecem.