A primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, popularmente chamada de Janja, manifestou-se sobre as críticas que tem recebido em relação à sua atuação no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista recente ao portal UOL, Janja destacou que a resistência à sua função decorre da falta de precedentes históricos de uma primeira-dama tão envolvida em questões governamentais.

Segundo Janja, o Brasil nunca contou com uma primeira-dama que trabalhasse de forma efetiva, um fato que surpreende tanto a sociedade quanto a mídia. Ela comentou que se sente frequentemente mais procurada por veículos de comunicação internacionais do que pela imprensa nacional. “Recebi muita crítica da imprensa. Sou muito mais solicitada pela imprensa internacional”, afirmou.

A primeira-dama revelou que sua rotina inclui reuniões, agendas e viagens oficiais, atividades que, segundo ela, têm gerado estranhamento e críticas na opinião pública. Janja mencionou algumas de suas iniciativas, como o combate à fome e a luta contra a pobreza menstrual, reafirmando seu compromisso com causas sociais. “Eu vou quase todo dia para o Planalto, faço reunião, faço agenda, viajo a trabalho”, disse.

Ao analisar as críticas, Janja traçou um paralelo com Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e indicou que um componente de preconceito social está presente nas avaliações de seu trabalho. “Isso importa muito. Há um recorte de elite. Eu tenho certeza absoluta que muito do preconceito que vem contra mim é de classe. Não venho de uma família rica”, declarou.

Além de abordar questões sociais, Janja também enfrentou questionamentos sobre os custos de suas viagens e compromissos internacionais. Ela considerou essas críticas como parte de uma estratégia para desgastar a imagem do presidente Lula. “Realmente essas coisas não me atingem. Eu já fui muito atacada. E essa questão que você falou da ‘gastadeira’ é exemplo da misoginia pura, que hoje surfa nas redes sociais”, afirmou.

A primeira-dama explicou que suas escolhas de hospedagem e transporte seguem protocolos de segurança. “Eu procuro me hospedar nas embaixadas, primeiro, por uma questão de segurança, é mais tranquilo também o trânsito, toda a logística. Eu viajo na executiva também por uma questão de segurança. Não viajo na econômica porque tem alguns regramentos que tenho que seguir”, ressaltou. Janja enfatizou que, embora preferisse não ter segurança, essa é uma necessidade em sua posição.