Indiciamento de Líderes Religiosos em Brasília

A Polícia Federal (PF) anunciou, na última quarta-feira (14), o indiciamento de dois fundadores de igrejas evangélicas em Brasília, ligados a um esquema de fraudes que ficou conhecido como a "Farra do INSS". Os indiciados são Dogival José dos Santos, responsável pela Crusada Nacional de Evangelismo, e Lucineide dos Santos Oliveira, presidenta da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus.

Dogival, que foi presidente da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), e Lucineide foram acusados de envolvimento em uma série de crimes, incluindo corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ambos foram convocados a prestar esclarecimentos, mas optaram por permanecer em silêncio durante os depoimentos.

Impacto das Irregularidades

A PF revelou que o esquema de fraudes pode ter ocasionado um prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões, afetando um grande número de aposentados e pensionistas. Além do casal, outras 46 pessoas foram indiciadas no caso, que é um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Após a divulgação do escândalo, a fachada da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus foi removida, levantando suspeitas sobre a real extensão das operações da instituição. Curiosamente, no mesmo endereço onde a igreja está localizada, há indícios de uma empresa fantasma que pertence a um contador ligado à Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), outra instituição implicada nas fraudes.

Relatório da CPMI do INSS

No relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Dogival e Lucineide são mencionados como operantes de uma rede criminosa de desvio de recursos. Dogival é apontado como um dos líderes da organização, utilizando sua posição na AAB para acessar dados pessoais de segurados e desviar recursos previdenciários.

Transações financeiras reveladas nas investigações mostram que Dogival transferiu R$ 741 mil para Lucineide em um período de seis anos, utilizando uma técnica chamada "smurfing" para ocultar a origem do dinheiro. Lucineide, por sua vez, atuava como tesoureira e foi acusada de gerenciar o núcleo financeiro da associação, facilitando a operação das fraudes.

Movimentação Financeira Suspeita

Lucineide acumulou receitas que contrastam com sua renda formal, recebendo R$ 160,9 milhões entre 2019 e 2025, sendo que a maior parte veio da Conafer. As investigações apontam que a movimentação financeira dela era incompatível com seu histórico econômico, levantando preocupações sobre a origem dos recursos. O relatório destaca que transferências significativas foram feitas para instituições suspeitas e indivíduos ligados à lavagem de dinheiro.

O caso continua a ser investigado, e as autoridades estão em busca de esclarecer a extensão da fraude e as possíveis conexões com outras organizações e indivíduos envolvidos no esquema.