A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) enviou uma carta ao governo dos Estados Unidos, solicitando a exclusão de produtos químicos e petroquímicos brasileiros das tarifas recentemente anunciadas pelo presidente Donald Trump.
A entidade argumenta que essa medida não apenas não beneficiará a indústria americana, mas também abrirá espaço para concorrentes da China e de outros países asiáticos no mercado dos EUA.
No documento, endereçado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a Abiquim ressalta que as tarifas podem ter um efeito oposto ao que é pretendido pelo governo americano.
Impactos das Tarifas
De acordo com a associação, 91,8% dos produtos brasileiros afetados pelas tarifas já possuem fornecedores ativos na China, sugerindo que as empresas americanas tendem a substituir insumos brasileiros por produtos chineses, ao invés de buscar alternativas locais.
Além disso, a Abiquim destaca que as tarifas atingiriam um setor onde os Estados Unidos já apresentam um superávit comercial considerável. Em 2025, as exportações americanas de produtos químicos para o Brasil somaram US$ 11,5 bilhões, enquanto as vendas do Brasil para os EUA foram de apenas US$ 2,1 bilhões, resultando em um saldo positivo de cerca de US$ 9,4 bilhões para os EUA.
Consequências para Empresas Americanas
A associação também aponta que as tarifas podem afetar negativamente empresas americanas que operam no Brasil. Entre os exemplos citados estão grandes companhias como Dow, ExxonMobil Chemical e LyondellBasell. A Abiquim argumenta que essa medida poderia elevar os custos operacionais, interromper cadeias de suprimento integradas e comprometer a competitividade dessas empresas.
Com 151 integrantes, a Abiquim representa um setor que é responsável por cerca de 11% do PIB industrial brasileiro. A indústria química do Brasil ocupa a sexta posição mundial em termos de faturamento, alcançando uma receita líquida de aproximadamente US$ 167,8 bilhões em 2025.




