A trágica morte de Maria Aparecida Galdino dos Santos, uma gestante de 25 anos, após o parto no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), levanta preocupações sobre a qualidade do atendimento médico prestado e a resposta das autoridades competentes.

Falta de atendimento e investigação

Maria Aparecida faleceu na segunda-feira, dia 13 de julho, após dar à luz sua filha, Helena. Desde então, sua família denunciou que o Instituto de Medicina Legal (IML) ainda não havia realizado a remoção do corpo, mesmo com o óbito declarado horas após o parto. Segundo o advogado da família, Flavio Domingos, houve falta de comunicação entre a 32ª Delegacia de Polícia e o IML, o que atrasou a perícia e a liberação do corpo.

Procedimentos inadequados durante o parto

De acordo com informações da família, Maria Aparecida tinha solicitado uma cesárea, mas sua solicitação foi ignorada pela equipe médica. O parto normal, que ocorreu no dia 14 de julho, foi descrito pelo esposo, Douglas Cardoso, como mal conduzido e forçado, resultando em complicações graves para a mãe.

Após o nascimento, foi identificado que parte da placenta permanecia no útero, o que causou uma hemorragia intensa em Maria. O hospital precisou realizar duas raspagens e, devido à gravidade da situação, foi necessário realizar a retirada do útero. Este procedimento ocorreu até as 20h, quando a família foi informada que Maria não resistiu.

Apuração e responsabilização

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que está apurando as circunstâncias envolvendo os óbitos de duas gestantes no HRSam, em um intervalo de apenas uma semana. A SES-DF garantiu que não tolerará falhas no atendimento e que, caso sejam confirmadas irregularidades, todos os responsáveis serão rigorosamente punidos.

Ainda segundo a SES-DF, enquanto a equipe do IML não comparece para a remoção dos corpos, o hospital é responsável por manter as condições adequadas de conservação, utilizando câmaras refrigeradas para garantir a integridade dos corpos até que a situação seja resolvida.

Contexto e consequências

O caso de Maria Aparecida é o segundo registrado em poucos dias, levantando um alerta sobre a segurança do parto e os protocolos de atendimento a gestantes em hospitais públicos do Distrito Federal. A repercussão da situação fez com que a comunidade e a mídia se mobilizassem, exigindo maior transparência nas investigações e respostas sobre a qualidade do atendimento prestado a mulheres grávidas.

Enquanto a família espera por respostas, o IML e a Polícia Civil estão sob pressão para resolver a situação de forma rápida e eficaz, o que é fundamental não apenas para a justiça em relação a Maria Aparecida, mas também para evitar que tragédias semelhantes ocorram no futuro.