Na última quarta-feira, 15 de julho, um hospital de referência para o tratamento de crianças com câncer na cidade de Ahvaz, no Irã, foi evacuado devido a uma série de ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos. Segundo informações da mídia estatal iraniana, a situação se tornou crítica após bombardeios atingirem áreas adjacentes ao hospital Shahid Baghaei, que também presta assistência a outros pacientes além dos jovens em tratamento contra o câncer.

Além da evacuação em Ahvaz, explosões foram relatadas em outras localidades do sul do Irã, como Sirik e Qeshm. A escalada das hostilidades começou quando o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou novos ataques focados em instalações militares iranianas, intensificando as tensões que já se arrastam há semanas. Os ataques dos Estados Unidos ao território iraniano haviam sido iniciados em 7 de julho, depois que o governo do então presidente Donald Trump acusou forças iranianas de atacarem três embarcações no Estreito de Ormuz, uma alegação que Teerã nega veementemente.

De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, o número de vítimas fatais já chega a 35, resultantes das recentes operações militares norte-americanas. As consequências da escalada de violência têm se estendido a países vizinhos do Golfo Pérsico, como Kuwait, Jordânia, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, afetados por ataques com drones e mísseis supostamente lançados pelas forças iranianas. O Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) afirmou que suas operações visam alvos militares estadunidenses nas nações adjacentes.

O recente aumento das hostilidades ocorreu após o colapso do cessar-fogo estabelecido no mês anterior, que havia sido acordado para facilitar negociações sobre um tratado definitivo. O memorando de entendimento previa, entre outras coisas, a reabertura do Estreito de Ormuz, o levantamento de sanções econômicas dos EUA sobre o Irã e a suspensão do bloqueio americano em portos iranianos. Com o retorno das tensões, as conversas entre Washington e Teerã estão estagnadas, e os esforços de mediação de países como Paquistão e Catar não conseguiram reverter a situação.

Atualmente, a navegação de embarcações no Estreito de Ormuz, que é responsável pela movimentação de cerca de 20% do petróleo mundial, voltou a ser bloqueada pelas autoridades iranianas. Simultaneamente, os Estados Unidos intensificaram suas sanções e reativaram o cerco nos portos do Irã, aprofundando ainda mais a crise entre as duas nações.