Belo Horizonte – A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, enfrenta desafios ao considerar a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais, refletindo o que tem sido chamado de "Efeito Pimentel". Essa expressão se refere à administração de Fernando Pimentel, que governou o estado entre 2015 e 2018 e, após uma gestão marcada por controvérsias, não conseguiu avançar para o segundo turno nas eleições de reeleição, deixando o cargo com uma taxa de desaprovação elevada.
A sombra deixada por Pimentel tornou-se uma questão central para o Partido dos Trabalhadores (PT) em Minas, dificultando a formação de uma base sólida para apoiar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência nas próximas eleições. Apesar de muitos membros da legenda acreditarem que os atrasos em salários e a ineficiência na entrega de obras não foram diretamente atribuíveis à sua gestão, a marca negativa permanece e tem sido utilizada como um trunfo por adversários, em especial pelo ex-governador Romeu Zema, do novo partido.
Um integrante do partido lamentou que Zema tenha conseguido desviar a culpa de sua própria administração para Pimentel, uma estratégia que provou ser eficaz e que continua a gerar consequências para o PT. A derrota nas eleições de 2018 deixou a legenda sem um nome viável para futuras disputas, que se intensificou após os resultados insatisfatórios das candidaturas petistas em 2022.
Essa situação abriu caminho para uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PDT, que, até o momento, não se concretizou. Recentemente, uma pesquisa interna revelou que Marília Campos desponta como a favorita, com mais de 20% das intenções de voto, seguida pelos deputados Rogério Correia e Reginaldo Lopes, ambos com cerca de 10%. Contudo, a percepção interna é de que a herança de Pimentel ainda pode influenciar negativamente essa disputa.
A equipe de campanha de Marília Campos defende uma estratégia mais cautelosa, priorizando a formação de uma frente ampla com outras legendas, ao invés de buscar uma candidatura própria. José Prata, coordenador da pré-campanha, enfatizou a necessidade de apoiar um candidato externo à federação composta pelo PT, PV e PCdoB, reconhecendo que a experiência anterior no governo não foi positiva. "Devemos apostar na constituição de uma frente ampla", afirmou.
Essa postura é vista como acertada por muitos na militância, que acreditam que focar em candidaturas ao Senado está se desenrolando de maneira favorável. No entanto, a pressão por uma candidatura ao governo ainda persiste, com alguns membros do PT sinalizando apoio a Marília nas redes sociais, como os deputados Miguel Ângelo e Bella Gonçalves, além da pré-candidata Moara Saboia.
Um interlocutor destacou: "Entrar com qualquer candidatura que não tenha a estrela do PT no peito pode trazer muito mais chances de sucesso, mesmo com Lula no palanque". Surpreendentemente, até aqueles que estavam relutantes em apoiar Gabriel Azevedo, do MDB, estão se mostrando mais abertos à ideia. Azevedo é considerado o candidato preferido de Marília para receber o apoio do PT na corrida pelo governo de Minas.
Um membro do partido argumentou que seria um erro o PT não apoiar a candidatura de Azevedo, lembrando que, nas eleições municipais de 2024, a legenda já havia se aliado a candidatos do PP e do PSDB, destacando que essas relações políticas eram uma consequência das dinâmicas locais.




