Faltando pouco mais de três semanas para o pleito eleitoral de 2026, o candidato ao governo paulista e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), fez um contundente apelo por transparência nas investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas ao Banco Master. Em agenda pública realizada neste sábado (12), o político defendeu que a sociedade brasileira precisa ter acesso irrestrito a todos os inquéritos que envolvem figuras públicas antes de ir às urnas.

A declaração ocorreu durante o lançamento de suas propostas de governo para a área da saúde em São Paulo, evento no qual esteve acompanhado por Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado. Haddad argumentou que o esclarecimento prévio dos fatos é fundamental para impedir o eleitor de tomar decisões no escuro e acabar elegendo representantes ligados a esquemas de corrupção ou organizações criminosas.

Combate aos vazamentos seletivos e escrutínio da imprensa

Um dos pontos centrais da fala do candidato foi a crítica severa ao manuseio parcial de dados sigilosos durante o período pré-eleitoral. Segundo Haddad, a divulgação fracionada de relatórios serve frequentemente a interesses partidários pontuais, manipulando a percepção popular e favorecendo determinados grupos na disputa política.

  • Transparência integral: Haddad defende a abertura total das apurações do STF sobre o Banco Master com repercussão política.
  • Tempo de análise: De acordo com o ex-ministro, tornar os autos públicos agora dá à imprensa três semanas para examinar rigorosamente a documentação.
  • Livre escolha do eleitor: A divulgação prévia permitiria ao cidadão votar com plena consciência sobre as condutas dos postulantes aos cargos executivos e legislativos.

O ex-ministro fez questão de elogiar a recente postura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a determinação do presidente do STF, Edson Fachin. Por decisão da presidência da Corte, o relator do caso, ministro André Mendonça, derrubou o segredo de justiça da Petição 15.556 e de outros 14 procedimentos vinculados à instituição financeira.

Tensões no Supremo e ramificações na disputa presidencial

O desenrolar das apurações ocorre em um momento de extrema sensibilidade no meio judiciário e político. O plenário da Suprema Corte deve se reunir na próxima terça-feira (15) para deliberar sobre a eventual abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes, no bojo do mesmo escândalo.

Ao abordar os desdobramentos do escândalo do Banco Master, Haddad questionou diretamente as motivações que levaram fundos de pensão públicos a aportar vultosos recursos na instituição financeira privada, cobrando a responsabilização de todos os envolvidos nas decisões financeiras. A complexa teia investigativa atinge múltiplos atores do cenário nacional.

Documentos desclassificados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), concorrente à Presidência da República, é citado por ter negociado repasses com o empresário Daniel Vorcaro destinados ao financiamento do longa-metragem Dark Horse — cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar, por sua vez, refuta categoricamente ter cometido qualquer ato ilícito.