Uma extensa operação da Polícia Civil do Distrito Federal, batizada de Operação Cartiera, foi deflagrada nesta quinta-feira (20/8) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que lavava cerca de R$ 60 milhões. A investigação revelou um forte embate entre as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na disputa pelo controle desse esquema financeiro.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), que solicitou o bloqueio judicial de bens para interromper as atividades ilícitas do grupo. Como resultado, o Judiciário determinou o sequestro de R$ 3,5 milhões em imóveis de alto valor e a apreensão de cinco veículos luxuosos, visando garantir a reparação dos prejuízos causados às vítimas das fraudes.
As raízes dessa organização começaram a ser desvendadas após um latrocínio no Distrito Federal em 2024, quando criminosos armados do CV tentaram assaltar um operador financeiro, acreditando que ele movimentava grandes quantias. Durante a investigação, ficou claro que o alvo possuía conexões com o PCC e era um verdadeiro lavador de dinheiro, prestando serviços a ambas as facções.
A estrutura criminosa utilizava um método cibernético para invadir contas bancárias de empresas, subtraindo valores e redistribuindo rapidamente os recursos em contas de terceiros, o que dificultava a rastreabilidade do dinheiro.
Para realizar a operação, cerca de 100 agentes foram mobilizados para cumprir 19 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão em vários estados, incluindo São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina, Goiás e o próprio Distrito Federal. Durante uma das buscas, a polícia encontrou um cofre repleto de dinheiro em uma residência em Sobradinho, além de veículos luxuosos, incluindo uma caminhonete avaliada em R$ 350 mil e motos.
Os envolvidos enfrentam sérias acusações, como furto mediante fraude informática, estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 40 anos de prisão. A Polícia Civil continua a analisar os documentos apreendidos para descobrir outros possíveis beneficiários associados a essas facções criminosas.
Um aspecto notável do esquema criminoso era o uso de links maliciosos para enganar clientes de bancos, levando-os a fornecer informações sensíveis, como senhas e códigos de acesso. Com essas credenciais, o grupo conseguia acessar as contas e realizar transferências fraudulentas, comprometendo as finanças das empresas afetadas.
O nome da operação, Cartiera, significa “fábrica de papel” em italiano. No contexto investigativo, refere-se a empresas criadas para dar suporte formal a atividades ilícitas, sem que haja uma atividade econômica verdadeira por trás.




