No último dia 17 de agosto, o bispo Luigi Renna, da cidade de Catânia, no sul da Itália, gerou grande repercussão ao realizar um ato inusitado durante um evento religioso: ele beijou o crânio de Santa Águeda, que viveu há quase 2 mil anos. A cena rapidamente se espalhou pelas redes sociais, atraindo a atenção de fiéis e curiosos.
A ocasião foi marcada pelas comemorações dos 900 anos do retorno das relíquias de Santa Águeda a Catânia. Durante a cerimônia, o bispo segurou o crânio da santa diante da plateia, demonstrando devoção ao colocá-lo sobre uma estátua da santa e selando o ato com um beijo na parte superior da caveira. Este foi o primeiro momento em que o crânio foi retirado de seu busto nos últimos 60 anos.
O evento contou com a presença do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, que celebrou a importância do rito extraordinário, simbolizando a proximidade da Igreja com a comunidade local. O prefeito de Catânia, Enrico Trantino, também protagonizou um momento polêmico ao beijar o crânio na boca, gerando críticas nas redes sociais.
Trantino, em resposta à controvérsia, afirmou que seu gesto foi uma manifestação de devoção, não apenas pessoal, mas representando todos os cidadãos de Catânia. Em sua publicação no Instagram, destacou a responsabilidade que sentiu ao realizar o ato, enfatizando o desejo da comunidade de se conectar de forma mais íntima com Santa Águeda. “Eu faria isso mil vezes”, assegurou.
A história de Santa Águeda é marcada por sua origem nobre, nascida em 235, e por sua determinação em manter sua fé, mesmo diante da opressão do Império Romano. A tradição narra que, em 251, após ser torturada, ela foi queimada com carvões por se recusar a renunciar à sua crença. A cidade de Catânia atribui a ela um milagre que teria parado a lava de um vulcão, quando os moradores usaram um véu de Águeda, que teria miraculosamente interrompido a erupção.
Este evento não apenas reafirma a importância religiosa de Santa Águeda, mas também traz à tona discussões sobre a devoção moderna e as práticas de fé que ainda ressoam nas comunidades contemporâneas.




