No último sábado, o governo dos Estados Unidos manifestou sua satisfação com a decisão da Venezuela de se retirar do Tribunal Penal Internacional (TPI). A nota oficial do Departamento de Estado destacou a escolha da presidente interina Delcy Rodríguez e a parceria com o novo governo venezuelano como parte dos esforços para desmantelar o que considera um TPI "corrupto e inútil".

O anúncio da retirada foi feito na sexta-feira, 25 de julho, pelo novo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Félix Plasencia. Em sua declaração, Plasencia argumentou que o Tribunal tem apresentado um "viés geográfico", concentrando suas atividades desproporcionalmente em países da África e da América Latina.

A decisão da Venezuela de romper laços com a jurisdição do TPI, vigente desde o ano 2000, reflete um movimento de aproximação com a administração de Donald Trump, que tem se posicionado de maneira crítica em relação à Corte. Essa postura se intensificou após a emissão de uma ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, acusado de crimes de guerra na Faixa de Gaza.

Recentemente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou uma campanha destinada a "desmantelar" o TPI, destacando que a Corte é vista como uma ameaça à soberania dos Estados Unidos. Essa nova fase de política externa dos EUA, alinhada com a postura venezuelana, promete repercussões significativas nas relações internacionais.

O apoio verbal do governo Trump à Venezuela ocorre em um contexto onde o país enfrenta crises internas, exacerbadas por desastres naturais e dificuldades econômicas. A relação entre os dois países, historicamente tensa, parece agora encontrar um terreno comum em torno da oposição ao Tribunal de Haia e suas atividades.

O cenário atual sugere que as dinâmicas políticas na América Latina e as alianças formadas em torno de questões jurídicas internacionais estarão sob observação atenta nos próximos meses, à medida que a Venezuela busca redefinir sua política externa.