O governo brasileiro programou uma reunião com líderes de setores diretamente impactados pelas novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos. Esta decisão foi tomada em resposta à urgência de discutir estratégias que minimizem os efeitos negativos da medida.

A tarifa entrará em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho, e as tratativas estão sendo coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em conjunto com o Ministério da Fazenda. O vice-presidente Geraldo Alckmin, em declaração feita na quinta-feira anterior, destacou que a administração federal pretende implementar um programa de suporte aos setores que enfrentarão dificuldades devido a esta nova tarifação.

“O governo vai oferecer assistência a todos aqueles que atuam e trabalham no Brasil e que podem ser afetados por essa medida”, afirmou Alckmin. O planejamento inclui a utilização de ferramentas do Plano Brasil Soberano, além de suporte financeiro para empresas e um reforço nas iniciativas de promoção comercial visando a abertura de novos mercados.

Os segmentos que sofrerão as maiores consequências incluem o setor madeireiro, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. O governo estima que cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA serão impactadas, representando aproximadamente US$ 7,4 bilhões em valores projetados para 2024. Para 2025, com a aplicação das tarifas, essa porcentagem deve cair para 15%, conforme informou o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o governo Lula seguirá uma linha de atuação semelhante àquela adotada em 2025, quando o então presidente Donald Trump lançou um primeiro pacote de tarifas. “O governo brasileiro não abandonará agricultores, empresários e famílias brasileiras; realizaremos uma análise cuidadosa em respeito ao nosso compromisso com o futuro e à responsabilidade fiscal”, declarou Durigan.

Apesar da implementação dessas tarifas, os Estados Unidos divulgaram uma lista de exceção para produtos essenciais na cadeia de consumo americana, buscando evitar aumentos de preços internos, conforme o ocorrido em 2025. Itens como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja não estarão sujeitos ao novo tarifaço.

A tarifa de 25% sobre importações brasileiras foi fundamentada em uma investigação realizada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. De acordo com este órgão, o Brasil é acusado de praticar métodos considerados "desleais, discriminatórios e irrazoáveis", que criam barreiras ao comércio e prejudicam empresas norte-americanas.