No último domingo, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, manifestou forte crítica às declarações proferidas pelo presidente argentino, Javier Milei, durante sua visita ao Brasil. Kicillof revelou sentir "vergonha alheia" após ouvir os insultos direcionados ao governo brasileiro e a seu presidente.

Em uma publicação nas redes sociais, o governador enfatizou a importância de manter uma postura respeitosa em relação às nações vizinhas. "Ontem, assistimos com vergonha alheia o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, reiteramos que a Argentina preza pelo respeito e pela integração regional", afirmou Kicillof.

Kicillof ainda destacou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, alertando que as atitudes provocativas de Milei podem comprometer investimentos, exportações e milhares de empregos no país. "Com essas declarações inadequadas, Milei arrisca os interesses da Argentina tudo para apoiar um candidato a pedido de Trump", disse o governador.

Durante sua presença em São Paulo, Milei participou de um evento do Partido Liberal (PL) em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Em seu discurso, o presidente argentino proferiu ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, utilizando termos depreciativos.

Essas falas de Milei geraram reações imediatas de autoridades brasileiras. O presidente do STF, Edson Fachin, e o líder do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, também se pronunciaram repudiando as ofensas do presidente argentino.

Após os comentários de Milei, Kicillof revelou que contatou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para esclarecer que as declarações do presidente não refletem o sentimento do povo argentino. "A relação com o Brasil deve ser pautada pela responsabilidade, e não por provocações", enfatizou Kicillof.

Em resposta às declarações de Milei, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, para discutir a situação. A convocação de um embaixador em missão no exterior é uma medida considerada severa nas relações diplomáticas e indica a gravidade da situação. Bitelli deverá retornar ao Brasil nesta segunda-feira (27), quando se reunirá com o ministro Mauro Vieira.