Em mais um desdobramento da inédita tensão institucional que sacode a mais alta Corte do país, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acionou formalmente a direção-geral da Polícia Federal para obter o acervo completo das informações extraídas do telefone móvel do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

O requerimento foi endereçado ao comandante da corporação, Andrei Rodrigues. A iniciativa antecipa o julgamento presencial no plenário do STF, em que os magistrados se debruçarão sobre a Petição 16.662 — expediente que condensa acusações e representações cruzadas entre integrantes do próprio tribunal.

O ponto de inflexão na crise do STF

A iniciativa do ministro Gilmar reflete a relevância do Laudo Pericial nº 4281/2025, produzido pela Polícia Federal em São Paulo. Os diálogos resgatados do aparelho telefônico do banqueiro funcionam como eixo central para as alegações formuladas pelo ministro André Mendonça, que defendeu a abertura de apuração sobre a conduta de Alexandre de Moraes devido a menções ao seu nome e a pessoas do seu círculo de convivência.

O cenário escalou rapidamente quando Moraes, no papel de relator do inquérito das fake news, acionou instrumentos internos para acusar Mendonça de abuso de autoridade. O impasse obrigou o presidente do STF, Edson Fachin, a centralizar os procedimentos sob a gestão da presidência e intimar as partes, além da Procuradoria-Geral da República, para prestarem esclarecimentos detalhados.

Decisões conflitantes e a intervenção da presidência

A crise atingiu contornos ainda mais complexos quando decisões divergentes expuseram fissuras na Corte. Após declarar a ilegalidade de um relatório policial citado por Moraes, o ministro Mendonça determinou o afastamento temporário do diretor-geral da PF. Todavia, a medida sofreu contestação imediata da Advocacia-Geral da União e acabou neutralizada por uma decisão paralela do ministro Flávio Dino em outro processo, reinstalando o chefe da corporação no cargo.

Diante desse cenário de deliberações sobrepostas, Fachin interveio com firmeza para reorganizar o trâmite processual:

  • Manutenção no comando da PF: Anulou os atos referentes à suspensão de Andrei Rodrigues, garantindo sua permanência no cargo.
  • Redistribuição processual: Retirou a condução do inquérito das fake news das mãos de Alexandre de Moraes.
  • Pauta no Plenário: Submeteu à análise de todo o colegiado o pedido de investigação que envolve os ministros.

Com a requisição do conteúdo integral das mídias, Gilmar Mendes busca examinar a totalidade das provas antes da deliberação coletiva, em um momento decisivo para a estabilidade e a credibilidade do Poder Judiciário.