Belo Horizonte – A imagem da Geração Z como uma geração que se afastou do álcool pode ser um tanto exagerada. Um estudo global realizado pela IWSR revelou que 74% dos jovens adultos dessa faixa etária, que já atingiram a idade legal para beber, consumiram bebidas alcoólicas nos últimos seis meses. Em comparação, 76% da população adulta geral participou do consumo no mesmo período. Os dados, embora próximos, apontam que a frequência e a quantidade consumida variam significativamente entre os grupos.
O levantamento não apenas mede quem consumiu, mas como e por que essas escolhas foram feitas. A pesquisa indica que a Geração Z tende a ser mais seletiva, priorizando coquetéis, bebidas de baixo teor alcoólico e até opções sem álcool. Apesar disso, ainda não existem dados conclusivos sobre se o consumo de álcool entre os jovens em Minas Gerais realmente aumentou ou diminuiu.
De acordo com Cristiano Lamego, superintendente executivo do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (SindBebidas MG), é importante não simplificar essa nova tendência como uma mera redução no consumo. "Observamos uma reconfiguração no comportamento de consumo, que pode estar ligada a um anseio por experiências mais saudáveis e moderadas", afirma Lamego.
Em Minas Gerais, o estudo Bevtrac, que ouviu mais de 32 mil pessoas em 19 mercados, reflete essa mudança de comportamento. A pesquisa também destaca que 84% dos jovens participaram do consumo de coquetéis no último semestre e que 49% consideram recomendações de saúde no que diz respeito ao álcool. Além disso, 18% dos entrevistados mencionaram estar acompanhados por cinco ou mais pessoas na última vez que consumiram bebida alcoólica, evidenciando a importância das interações sociais na experiência do consumo.
Essa observação é corroborada por Pedro Junqueira, co-fundador da Vanfall Destilaria em Belo Horizonte, que elabora gin, vodka e drinks prontos em lata. Junqueira observa que a Geração Z prefere selecionar melhor as ocasiões em que consome. "Não notamos uma rejeição ao álcool, mas sim um aumento na seletividade nas escolhas", destaca.
A popularidade de bebidas prontas para consumo (RTDs) reflete essa nova abordagem. O SindBebidas MG menciona que bebidas mistas e cervejas sem álcool estão se tornando cada vez mais comuns, não apenas como alternativas, mas como parte integrante das estratégias de inovação das indústrias. Lamego ressalta que essas opções permitem que os jovens mantenham a socialização sem os efeitos negativos do álcool.
Estudos anteriores do SindBebidas MG já indicavam um crescimento de 12% no faturamento do setor de bebidas alcoólicas em 2025 em comparação ao ano anterior. Essa mudança também foi observada em Minas Gerais, onde marcas de drinks prontos e cervejas de baixo teor alcoólico estão ganhando popularidade.
Os jovens estão se mostrando mais conscientes sobre as conseqüências do consumo de álcool. A estudante Geórgia Alvarenga Barbosa de Moraes, de 18 anos, enfatiza que sua relação com as bebidas está mais centrada em sabor e ocasiões sociais do que em busca de embriaguez. "Quando saio, busco um estado de leveza, sem perder o controle", explica. Isso ocorre também em um contexto de preocupação com a saúde, já que muitas amigas de Geórgia frequentam a academia e optam por consumir álcool com moderação, alternando com bebidas não alcoólicas.
A diversidade de opções disponíveis no mercado atual também é um diferencial em relação a gerações anteriores. As escolhas de bebidas são influenciadas não apenas pelo paladar, mas pela intenção de manter um estilo de vida saudável e equilibrado. "O álcool pode atrapalhar a rotina do dia seguinte, principalmente em relação aos estudos e atividades físicas", pontua Geórgia.




