A política francesa Marine Le Pen, figura proeminente da ultradireita, fez um anúncio surpreendente na noite de terça-feira (7/7), revelando sua intenção de concorrer nas eleições presidenciais de abril de 2027. A declaração ocorreu horas depois de ser condenada a três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos, e um ano de monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica, em um caso relacionado a um escândalo de desvio de fundos no Parlamento Europeu.
Durante uma entrevista ao canal TF1, Le Pen afirmou: "Eu sou candidata esta noite". Ela também manifestou sua determinação em buscar recursos legais para provar sua inocência, com planos de apelar uma vez mais à Corte de Cassação, a mais alta instância judiciária da França para questões criminais.
Apesar da condenação, o tribunal revisou a pena de inelegibilidade imposta a Le Pen em 2025, permitindo que ela se candidate ao cargo atualmente ocupado por Emmanuel Macron. A nova sentença não apenas reduziu o tempo de prisão, mas também flexibilizou a proibição de exercer cargos públicos, que agora é de 45 meses, sendo 30 meses com a pena suspensa. Com isso, Le Pen pode concorrer em 2027, uma vez que o período de inelegibilidade não suspenso já foi cumprido.
No entanto, a imposição do uso de tornozeleira eletrônica, que a limita a uma espécie de prisão domiciliar, levanta questões sobre sua capacidade de liderar uma campanha presidencial em nível nacional. Em declarações anteriores, Le Pen havia indicado que não se lançaria na corrida eleitoral se tivesse que usar o dispositivo, mas agora parece ter reavaliado sua posição.
Le Pen expressou otimismo quanto à possibilidade de que a Corte de Cassação revogue a medida de monitoramento. A corte já se manifestou sobre a urgência em decidir sobre seu caso antes das eleições presidenciais de 2027.
"Estou satisfeita que os franceses tenham recuperado sua liberdade de voto e que o tribunal tenha restaurado minha elegibilidade. Não há mais cenários em que eu não possa me candidatar em 2027", declarou Le Pen, ressaltando a importância da decisão judicial em seu futuro político.
Durante o julgamento, Le Pen reconheceu ter cometido um "erro", admitindo que alguns de seus funcionários parlamentares da UE desempenhavam tarefas para o partido, então denominado Frente Nacional. No entanto, a líder ultradireitista defendeu que acreditava que essa prática era permitida e criticou o Parlamento Europeu por não ter alertado sobre possíveis irregularidades nas contratações.
O advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, enfatizou a relevância da decisão judicial, afirmando que sua cliente estava "confiando a vocês o trabalho de sua vida; a questão, portanto, é se terminará aqui ou se poderá ser reconstruído".




