Na manhã desta quarta-feira (1º de julho), o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizou um encontro em Brasília com líderes femininas conservadoras. O objetivo do evento é reforçar sua conexão com o eleitorado feminino, em um momento marcado por tensões familiares que envolvem sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A ausência de Michelle foi um dos pontos mais comentados do evento, indicando que os desentendimentos entre ela e Flávio permanecem sem resolução. A reunião aconteceu em uma área central da capital, integrando a estratégia de pré-campanha do senador para melhorar seu desempenho entre mulheres e evangélicos, grupos que são considerados essenciais por seus aliados.

O encontro visou reunir diversas lideranças políticas em um diálogo sobre propostas voltadas ao público feminino, além de enfatizar a intenção de que a chapa presidencial inclua uma mulher como candidata a vice. Entre os nomes que estão sendo cogitados para a vaga estão a ex-presidente da Caixa Econômica, Daniella Marques (Republicanos), e a deputada Julia Zanatta (PL-SC), ambas convidadas para o evento.

Nos bastidores da política, aliados de Flávio afirmam que a definição do nome da candidata a vice se tornou urgente, especialmente após os recentes conflitos familiares envolvendo Michelle. Outros nomes que também estão sendo considerados incluem as parlamentares Tereza Cristina (PP-MS), Clarissa Tércio (PP-PE) e Bia Kicis (PL-DF). A expectativa é que a composição da chapa seja anunciada nas próximas semanas.

A ausência de Michelle no evento não foi por falta de convite. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou persuadi-la a participar durante uma reunião na sede do partido, mas ela optou por se afastar da agenda organizada pela pré-campanha de Flávio. Recentemente, Michelle também decidiu deixar a presidência do PL Mulher, alegando que pretende se dedicar integralmente aos cuidados de sua família.

As tensões familiares vêm se intensificando nos últimos meses. Em conversas informais, Michelle expressou seu desejo de se afastar da política e até mesmo considerar a possibilidade de não disputar uma candidatura ao Senado. Ela, no entanto, ainda está avaliando as manifestações e pode tomar uma decisão em breve.

A crise entre Flávio e Michelle começou a ganhar destaque público na última semana, quando a ex-primeira-dama utilizou suas redes sociais para relatar que se sentiu “humilhada” e “desrespeitada” pelo enteado. A disputa começou após desavenças sobre a estratégia do PL no Ceará, que incluíam a aproximação do partido com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Michelle também relatou ataques de membros do próprio campo político bolsonarista.

Embora a crise tenha interrompido o esforço de reposicionamento da imagem de Flávio, aliados afirmam que o conflito familiar não deve ter um impacto significativo nas intenções de voto do senador. Nos bastidores, há um consenso entre os dirigentes do PL sobre a necessidade de Flávio evitar novos conflitos públicos e focar na reorganização de sua pré-campanha, acelerando a escolha de uma mulher para compor a chapa.