Flávio Bolsonaro e suas alegações sobre urnas eletrônicas
Na última terça-feira (21/7), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, expressou preocupações sobre a eficácia das urnas eletrônicas brasileiras em um evento que contou com a presença de embaixadores e diplomatas em Brasília. Durante sua fala, ele fez referências a informações que já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em anos anteriores.
Bolsonaro sugeriu que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam vínculos com a empresa venezuelana Smartmatic, mencionando um suposto envolvimento desta em fraudes eleitorais na Venezuela, conforme um relatório da Agência Central de Inteligência (CIA) divulgado recentemente. "Não vou entrar em mais detalhes, mas é importante notar que muitas das máquinas que usamos são da mesma empresa [venezuelana]", afirmou o senador.
Apelo por observadores internacionais
Além de questionar a origem das urnas, Flávio Bolsonaro fez um apelo aos diplomatas presentes para que enviassem um número significativo de observadores internacionais para as eleições deste ano no Brasil. Ele enfatizou que seu pedido não visava deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro, mas sim garantir que especialistas em tecnologia de votação pudessem acompanhar as eleições, promovendo assim uma maior transparência e segurança.
Resposta do TSE e desmentidos sobre Smartmatic
Em resposta às alegações de Bolsonaro, o TSE reafirmou que as urnas eletrônicas brasileiras não têm qualquer relação com a empresa Smartmatic. A corte eleitoral, em comunicado feito em 2020 e atualizado em julho de 2026, esclareceu que todas as urnas são desenvolvidas e gerenciadas pela Justiça Eleitoral do Brasil. O TSE descreveu como falsas as informações que indicam que a Smartmatic fornece urnas ou softwares para as eleições no país.
De acordo com a nota do TSE, a Smartmatic apenas prestou serviços de treinamento para profissionais que ofereceram suporte técnico às urnas, mas não teve envolvimento no fornecimento ou na programação dos equipamentos. Em 2022, o TSE já havia destacado que o software utilizado nas urnas é exclusivo da Justiça Eleitoral e funciona em um sistema totalmente isolado da internet, garantindo a segurança e a integridade do voto.
Contexto histórico e comparação com Bolsonaro pai
As declarações de Flávio Bolsonaro não são inéditas, uma vez que ecoam os comentários feitos por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022. Naquela ocasião, o ex-presidente também se reuniu com embaixadores para expor suas preocupações sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro, resultando em uma condenação pelo TSE por abuso de poder e uso indevido de meios de comunicação.
A campanha de Flávio se apressou em emitir uma nota afirmando que ele não questionou a integridade do sistema de votação brasileiro, tentando distanciar suas declarações das polêmicas que cercam seu pai. No entanto, o histórico de acusações sobre o sistema eleitoral no Brasil continua a ser um tema controverso e debatido.




