O Ministério da Fazenda do Brasil divulgou uma análise no Boletim Macrofiscal, nesta quarta-feira (15/7), afirmando que a nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter um impacto "reduzido" na economia do país.

A avaliação surgiu após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluir uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, resultando na proposta da sobretaxa. Entre os fatores citados pelos americanos estão o desmatamento ilegal, a pirataria e o sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como Pix, que, segundo o governo dos EUA, criam barreiras ao comércio bilateral.

A medida foi oficialmente aprovada pelas autoridades norte-americanas na mesma data da divulgação do boletim. O Ministério da Fazenda indicou que o Brasil já superou desafios semelhantes, como o tarifaço anterior aplicado pelos EUA em agosto do ano passado, quando as exportações começaram a se recuperar gradativamente após um período inicial de dificuldades.

Uma das razões apontadas para a previsão de um impacto limitado é o volume das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano. Em 2025, as vendas para os EUA representaram cerca de 11% do total das exportações brasileiras, o que corresponde a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes da imposição das tarifas.

Além disso, o governo brasileiro enfatizou que muitas empresas conseguiram redirecionar suas exportações para outros mercados, atenuando, assim, as perdas financeiras e reduzindo os efeitos adversos na economia. O boletim também mencionou que a proposta dos EUA inclui isenções para diversos produtos, o que pode diminuir ainda mais o alcance da medida, caso seja implementada.

Outra consideração importante no boletim é a série de iniciativas adotadas pelo governo para apoiar setores afetados por restrições comerciais. Entre essas iniciativas estão programas destinados a garantir crédito, aumentar a liquidez das empresas e incentivar a exploração de novos mercados para os produtos brasileiros.