A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgou nesta quarta-feira (15/7) que a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026 permanece em 2,3%. Este relatório destaca uma esperada desaceleração econômica no segundo semestre do ano, após um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre.

A expectativa é de que o crescimento se modere para 0,8% no segundo trimestre de 2026. Segundo a SPE, essa desaceleração é atribuída mais à composição do crescimento do que ao enfraquecimento da atividade econômica corrente. O ministério também manteve a previsão média de crescimento em 2,6% para o período entre 2027 e 2030, mesmo com a expectativa de uma Selic mais alta, o que sugere uma desaceleração gradual da flexibilização monetária.

Essas informações fazem parte do Boletim Macrofiscal de junho, um relatório bimestral que apresenta projeções de curto e médio prazo para indicadores econômicos e de inflação, essenciais para o planejamento orçamentário do governo federal.

Desafios Econômicos e Inadimplência

O cenário atual também aponta para um aumento na inadimplência, com o endividamento das famílias permanecendo em níveis elevados. A SPE informou que a inadimplência no crédito livre subiu levemente em maio de 2026, tanto entre pessoas jurídicas quanto físicas. Esse aumento ocorre em um contexto de juros altos, que pressionam a renda disponível das famílias e limitam os ganhos reais observados no mercado de trabalho.

As autoridades estão cientes da situação e, em resposta, implementaram medidas para renegociar dívidas em atraso e facilitar o acesso ao crédito de forma que esteja alinhada à capacidade de pagamento das famílias e empresas. Essa abordagem visa aliviar a pressão financeira sobre os consumidores.

Cenário Externo e Seus Impactos

Em relação ao cenário internacional, a SPE comentou sobre a assinatura de um acordo de trégua entre os Estados Unidos e o Irã, que ajudou a diminuir os riscos associados à oferta de petróleo. No entanto, a recente ruptura desse acordo trouxe de volta as incertezas sobre a estabilidade do preço do petróleo, que já estava em níveis pré-conflito. Segundo a Secretária de Política Econômica, Débora Freire, essas incertezas globais têm levado os bancos centrais a adotar uma postura cautelosa, impactando diretamente os preços no mercado.

Considerações Finais

O monitoramento constante das condições econômicas internas e externas, bem como a implementação de políticas adequadas, é crucial para garantir a estabilidade e o crescimento sustentável do Brasil nos próximos anos.