O Ministério da Fazenda e a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) apresentaram justificativas para a recente compra de R$ 7,5 milhões em computadores, laptops e cadeiras, mesmo com mais da metade dos servidores trabalhando remotamente. Em nota enviada ao Metrópoles, a pasta admitiu não ter informações sobre a taxa de ocupação das salas do bloco “P”, onde os colaboradores exercem suas atividades.
Durante uma observação de três meses, foi possível notar que diversas salas estavam desocupadas ou contavam com poucos funcionários. O ministério informou que a aquisição foi realizada sem um estudo técnico detalhado ou um diagnóstico prévio, como consta no documento oficial. A nota destacou que, embora seja possível realizar levantamentos pontuais, a variabilidade na presença física dos servidores torna difícil a definição de uma taxa média que sirva de base para decisões sobre a infraestrutura da STN.
A STN reforçou que a taxa de ocupação das salas não é um critério para avaliar a necessidade da compra, que incluiu 550 unidades de computadores de mesa, 700 cadeiras e 300 laptops. Atualmente, mais de 50% dos servidores da Fazenda, que abrange a Receita Federal e outras áreas, atuam de forma remota.
A equipe de reportagem questionou o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) sobre a taxa específica de ocupação do Tesouro Nacional, mas o órgão informou que não possui essa informação. A nota do Tesouro esclareceu que a gestão da infraestrutura e dos equipamentos não é baseada em uma média diária de ocupação, mas sim em garantir condições adequadas sempre que houver aumento na demanda por trabalho presencial.
Em sua defesa, o Tesouro Nacional afirmou que a adoção de modelos híbridos e de teletrabalho não diminui a necessidade de disponibilizar equipamentos adequados e seguros para a execução das atividades institucionais. De acordo com o órgão, muitos servidores precisam acessar sistemas críticos e informações sensíveis, o que requer um gerenciamento adequado dos equipamentos utilizados.
O destaque na nota foi para a preocupação com a segurança cibernética, especialmente diante do aumento dos ataques virtuais. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) relatou que a maior parte das ameaças ao governo está relacionada a engenharia social e vazamentos de dados.
O doutor em Ciência da Computação, Diego Aranha, apontou que o foco deve estar na capacitação dos servidores para lidar com os desafios do ambiente digital, em vez de simplesmente adquirir novos equipamentos. No entanto, o Tesouro também mencionou que a compra em grande escala resultou em descontos significativos, com os seguintes valores: 300 laptops ao custo de R$ 9.480 cada, 550 computadores de mesa a R$ 6.830 cada, e 700 cadeiras a R$ 1.340 cada.
A nota concluiu que a aquisição não foi apenas uma resposta à taxa de ocupação, mas parte de um planejamento estratégico para renovar a infraestrutura, fortalecer a segurança da informação e manter a continuidade dos serviços. A STN, responsável por funções críticas na gestão financeira da União, enfrenta desafios constantes na proteção de dados e operações financeiras, tornando a modernização dos equipamentos e mobiliário uma prioridade.
Além disso, a renovação do mobiliário é necessária, já que as cadeiras em uso têm uma vida útil estimada de dez anos e muitas já ultrapassaram esse limite, apresentando desgaste significativo. A STN indica que a decisão de compra levou em conta não apenas a ocupação atual, mas também a flexibilidade necessária para atender a demandas futuras dentro do modelo de trabalho híbrido.




