Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) mostrou que as famílias do Distrito Federal destinam, em média, R$ 260 mensalmente para o transporte público, o que representa 18,4% do salário mínimo. Este valor é suficiente para adquirir até oito cestas básicas, o que destaca a pressão financeira que essa despesa exerce sobre os cidadãos, especialmente os de baixa renda.
A pesquisa, coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB, foi desenvolvida com o apoio do Instituto de Ciência Política, do Grupo de Pesquisa Geopolítica e Urbanização Periférica e do Núcleo Brasília do Observatório das Metrópoles. Ela revela que o transporte público não é uma mera escolha, mas uma necessidade para grande parte da população trabalhadora do DF.
O estudo analisou dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade (Pemob 2024), do IBGE, e de operadoras de transporte coletivo em todas as 27 capitais do Brasil. A conclusão principal indica que a implementação de uma tarifa zero para o transporte público deve ser vista não apenas como uma medida de mobilidade urbana, mas também como uma política de redistribuição de renda.
Os pesquisadores estimam que a adoção da tarifa zero no DF e na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF) poderia redistribuir aproximadamente R$ 2,78 bilhões anualmente para a população.
Os dados do Censo Demográfico de 2022 revelam que 21,4% da população ocupada do Brasil, ou cerca de 14,9 milhões de pessoas, utilizam ônibus como seu principal meio de transporte. Para muitos, a tarifa de ônibus se transforma em um “imposto de circulação”, impactando especialmente aqueles com rendas mais baixas, que dependem do transporte para trabalhar e acessar serviços essenciais.
Com o custo médio de transporte equivalente a uma parte significativa do salário, a pesquisa revela que 40,8% da população do DF vive com renda domiciliar de até um salário mínimo, e 16,3% com até meio salário mínimo. O valor destinado ao transporte poderia ser utilizado para despesas básicas como a compra de alimentos, reforçando a urgência de uma discussão sobre a gratuidade do transporte público.
Além disso, o estudo destaca as desigualdades raciais no acesso ao transporte. Mulheres negras de baixa renda são as mais afetadas, dependendo do transporte público e enfrentando mais dificuldades devido ao custo das passagens. Essa realidade evidencia a necessidade de políticas que promovam não apenas a mobilidade, mas a equidade social.
A Secretaria de Mobilidade (Semob) do DF comentou sobre a pesquisa, informando que está em andamento um Grupo de Trabalho destinado a analisar o custo real do Programa Vai de Graça, que oferece gratuidade no transporte aos domingos e feriados. O grupo terá um prazo de 180 dias para apresentar suas conclusões.
Com o objetivo de melhorar a gestão tarifária, a Semob também realiza estudos para ampliar a gratuidade e otimizar o sistema de transporte. Os pesquisadores da UnB sugerem um modelo de financiamento que poderia ser implementado em nível nacional, onde empregadores contribuiriam com uma taxa mensal para um fundo específico destinado ao transporte público.




