Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) garantiu a indenização de R$ 50 mil a uma família que, por um erro de identificação em uma unidade de saúde em Sorocaba, enterrou o corpo de um recém-nascido trocado. O caso, que gerou comoção, ocorreu quando os pais do bebê sepultado foram notificados pelo hospital sobre a troca de corpos no necrotério.
Conforme o relato, o recém-nascido enterrado pertencia a outra mãe que possuía o mesmo nome da mãe da criança, o que culminou na confusão. A sentença, proferida pela 11ª Câmara de Direito Público do TJSP, endossou a condenação do Estado, enquanto excluiu a responsabilidade da funerária envolvida no processo.
O desembargador Fernão Borba Franco, que atuou como relator do caso, enfatizou o sofrimento que a família enfrentou ao prestar homenagens a um corpo que não era de seu filho. Após o enterro, foram obrigados a realizar outro ritual de despedida após a constatação do erro, gerando um trauma emocional significativo.
Durante o julgamento, ficou claro que a responsabilidade pela troca ocorreu antes da entrega do corpo à funerária. O desembargador destacou que a identificação dos pacientes é uma tarefa dos funcionários do hospital desde a admissão. Após o falecimento, o corpo deve ser corretamente identificado através de pulseiras e etiquetas antes de ser armazenado no necrotério, onde aguarda a retirada pelo serviço funerário.
Conforme o desembargador, a conferência entre a documentação e a identificação do corpo é uma responsabilidade dos funcionários da funerária, que, por sua vez, não tiveram contato prévio com a vítima. A decisão foi unânime entre os desembargadores, incluindo Afonso Faro Jr. e Oscild de Lima Júnior, que também participaram do julgamento.
Consequências e Reflexões sobre a Identificação de Corpos
Este caso levanta importantes questões sobre os procedimentos de identificação de corpos em instituições de saúde, enfatizando a necessidade de medidas rigorosas para evitar erros que possam resultar em sofrimento irreparável às famílias. A tragédia vivenciada por esta família ressalta a importância de um protocolo de identificação eficaz, que deve ser seguido para garantir que tais situações não voltem a ocorrer.
A situação é um lembrete de que erros administrativos podem ter impactos devastadores na vida das pessoas, e que a justiça deve ser buscada quando há falhas significativas em sistemas que têm a responsabilidade de cuidar e proteger.




