Belo Horizonte — A família de Romildo Batista de Lima, um pastor que perdeu a vida em um terremoto na Venezuela, iniciou uma campanha de arrecadação para financiar o traslado do corpo de volta a Minas Gerais. O objetivo é reunir R$ 50 mil, mas até o momento, o valor arrecadado é de apenas R$ 835,50.

Romildo, residente em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, viajou à Venezuela para celebrar seu 69º aniversário ao lado da esposa, Carlha Nacarid, e visitar os pais dela. O pastor comemorou seu aniversário no dia 21 de junho, e, uma semana depois, durante o terremoto, o casal tentou se proteger, mas uma parede desabou sobre eles. Enquanto Romildo foi socorrido e levado a um hospital, não sobreviveu aos ferimentos, deixando sua família em desespero.

Atualmente, Carlha está internada, se recuperando de uma fratura na bacia, enquanto familiares enfrentam dificuldades para organizar o repatriamento do corpo. A sobrinha de Romildo, Mayara Santos Mineiro, expressou sua preocupação em relação à comunicação com o governo brasileiro, que teria sido ineficaz no apoio ao processo de translado. Em um depoimento emocionado à apresentadora Natália André, ela afirmou: “Tentamos contatar a Força Aérea Brasileira (FAB) para ajudar e não obtivemos resposta. O Itamaraty não respondeu a nenhum dos nossos contatos, e um telefone sequer atendia.”

Mayara ainda relatou que houve momentos de incerteza sobre se seria possível trazer o corpo para o Brasil, aumentando o sofrimento da família. “Infelizmente, o corpo começou a entrar em decomposição, e chegou-se a cogitar que talvez não houvesse como trazê-lo”, desabafou.

Apesar das adversidades, a família conseguiu trazer o corpo por via terrestre até Boa Vista, em Roraima, com a expectativa de que ele chegue a Uberlândia até a próxima sexta-feira, dia 3 de julho, para que a família possa se despedir.

Burocracia e desafios

Mayara também mencionou as dificuldades enfrentadas devido à burocracia na Venezuela, destacando a ajuda fundamental da igreja frequentada por um tio. “Foi um verdadeiro desafio organizar toda a documentação, que é extremamente complicada. A assinatura do atestado de óbito ainda foi feita com o nome errado, levando a mais problemas no processo”, explicou.

A sobrinha destacou que uma força-tarefa foi criada entre os parentes, com o objetivo de agilizar a resolução da situação. “A burocracia estava tão complexa que tivemos que preencher diversos documentos com informações do falecido, o que foi desgastante”, comentou.

Última lembrança

Mayara recorda com carinho a última conversa que teve com Romildo, que ocorreu pelo WhatsApp no dia do nascimento de sua filha. “Enviei uma foto e disse: ‘Ô, tio, ela chegou’. Ele ficou muito feliz e respondeu que estava ansioso para conhecê-la”, relembrou, emocionada.

Descrevendo Romildo como um homem caridoso e dedicado, Mayara disse que ele sempre enfrentou desafios com um sorriso no rosto e se preocupava em levar a mensagem de Deus para a comunidade. “Ele fará muita falta em nossas vidas”, lamentou.

A reportagem do Metrópoles entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e aguarda uma resposta sobre a situação.