Incertezas na luta pela maternidade
A realidade de muitos casais homoafetivos e mulheres com infertilidade no Distrito Federal é marcada pela angústia e pela falta de opções adequadas para a reprodução assistida. O Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), que oferece serviços por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), enfrenta a suspensão do fornecimento de sêmen de doadores desde 2019, resultado do término da parceria com um banco de sêmen.
Os impactos da suspensão
Uma servidora pública de 35 anos, que sonha em se tornar mãe ao lado de sua companheira, compartilha sua experiência angustiante. Após passar por diversos exames e seguir todos os protocolos necessários, foi informada de que não há previsão para o retorno do banco de sêmen, situação que afeta diretamente centenas de famílias.
“Estamos cientes da nossa limitação de tempo em relação à fertilidade. Fazer a fertilização in vitro (FIV) na rede particular está fora das nossas possibilidades financeiras, por isso depositamos nossas esperanças no SUS”, desabafou a mulher.
Falta de informações e prazos indefinidos
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou que o serviço de reprodução assistida permanece temporariamente suspenso e que estão em andamento medidas legais visando a contratação de um novo fornecedor. Contudo, a falta de um cronograma claro para a retomada do atendimento tem gerado frustração e desespero entre os pacientes.
Outra gestante em espera, Isadora Robayo, de 29 anos, também expressou sua preocupação com a ausência de informações. Ela e sua companheira ingressaram no processo em 2025, mas agora se encontram sem prazo para a volta do serviço. “O que mais nos preocupa é a falta de comunicação. O tempo é um fator crucial, e não ter previsões aumenta a ansiedade”, afirmou.
Judicialização como alternativa
Para algumas mulheres, encontrar soluções na Justiça tem sido uma das poucas opções. Uma mulher de 38 anos, diagnosticada com infertilidade primária, conseguiu autorização judicial para realizar o tratamento após buscar a ajuda da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). O tribunal acolheu o pedido com o entendimento de que a suspensão do serviço infringia direitos fundamentais, incluindo saúde e dignidade.
Além disso, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também entrou com uma ação civil pública para pressionar a retomada do programa. Apesar dos esforços, as soluções ainda parecem distantes, e a angústia das pacientes aumenta à medida que o tempo passa.
Consequências da inação
A falta de um banco de sêmen disponível tem gerado não apenas um impacto emocional significativo, mas também uma preocupação crescente sobre as consequências físicas e sociais para as mulheres que aguardam atendimento. O MPDFT alerta que a espera prolongada pode agravar problemas psicológicos, além de comprometer as chances de sucesso dos tratamentos por conta do avanço da idade.
O futuro da reprodução assistida no DF
A situação atual levanta questões complexas sobre o futuro da reprodução assistida no Distrito Federal. Enquanto as autoridades buscam uma solução, casais e mulheres que dependem do sistema público continuam a viver com a incerteza e a frustração. Para muitos, o sonho de formar uma família parece mais distante do que nunca.




