Executiva do Bradesco sob investigação por maus-tratos a filhas adotivas

A Polícia Civil de São Paulo está investigando uma executiva do Bradesco, Nadége Saad, de 45 anos, após relatos de maus-tratos às suas filhas gêmeas adotivas. A denúncia foi formalizada em 17 de julho e envolve alegações de tratamento desigual e restrições severas na alimentação das crianças, atualmente com 4 anos.

Nadége, que liderou a plataforma digital E-agro do Bradesco até julho, quando foi substituída, continua em outras funções na instituição financeira. A ocorrência foi registrada no 78º DP (Jardins) e, devido à gravidade, foi transferida para a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde um inquérito sigiloso está em andamento.

Relatos de maus-tratos e ambiente familiar

De acordo com uma ex-funcionária da família, o ambiente antes da adoção era descrito como harmonioso, mas as condições mudaram drasticamente após a chegada das gêmeas. Menos de seis meses após a adoção, a testemunha notou hematomas frequentes nas crianças, que eram justificadas pela família como resultado de quedas. Contudo, a funcionária contestou essa versão, afirmando que as lesões ocorreram na ausência de babás e sob os cuidados dos pais.

Um dos casos mencionados no depoimento envolveu uma das gêmeas sendo punida por pegar uvas da geladeira. A menina foi forçada a subir e descer uma escada estreita, sem corrimão, o que a testemunha considerou um risco para a segurança da criança.

Alimentação restritiva e tratamento desigual

A ex-funcionária também apontou um tratamento desigual em relação às filhas biológicas do casal. Enquanto as crianças adotadas tinham uma dieta muito restrita, os filhos biológicos podiam consumir alimentos como pizza e batata frita. Em situações extremas, as gêmeas recebiam apenas meia banana cada uma. Até mesmo as babás se sentiam compelidas a oferecer comida às crianças em segredo, temendo que estivessem passando fome, já que muitas vezes não recebiam outra refeição após o lanche da escola.

Marcas e comportamentos preocupantes

Além das questões alimentares, a testemunha denunciou que as gêmeas apresentavam hematomas e outras marcas no corpo, além de comportamentos como roer as unhas e tremores frequentes. A mãe adotiva atribuía essas reações ao histórico familiar das crianças. O registro policial também menciona que outras funcionárias foram instruídas a escrever cartas atestando que não haviam presenciado quaisquer agressões.

As autoridades, incluindo a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Civil, confirmaram que o caso está sob investigação, mas não divulga detalhes adicionais, mantendo o processo em sigilo.