O Banco de Brasília (BRB) figura entre as empresas com maior número de sanções impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ocupando a 7ª posição em um ranking que revela as infrações cometidas por companhias abertas. Um levantamento realizado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) revelou que o BRB acumulou um total de 19 multas ativas entre dezembro de 2022 e março de 2026, totalizando R$ 526,5 mil.

As penalidades estão relacionadas ao atraso na entrega de documentos exigidos pela CVM, um aspecto crítico para a transparência e a governança das instituições financeiras. Apesar das promessas de regularização, as demonstrações financeiras consolidadas de 2025 permanecem sem publicação desde novembro de 2025. Esta lacuna se deu após a Operação Compliance Zero, que expôs operações fraudulentas que envolveram o BRB e o Banco Master.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, havia afirmado anteriormente que o balanço seria disponibilizado até o final de junho deste ano. No entanto, o prazo estipulado foi novamente desrespeitado, deixando os investidores e a comunidade financeira em uma expectativa incerta.

Empréstimo e a pressão do FGC

Enquanto a situação financeira do banco se torna mais crítica, o Governo do Distrito Federal (GDF) está em negociação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. Contudo, para que o FGC avalie este pedido, é imprescindível que o BRB apresente suas demonstrações financeiras de 2025 e as informações do primeiro semestre de 2026.

Histórico de multas e penalidades

O histórico de multas do BRB é extenso. Em 2022, o banco foi penalizado por não entregar no prazo as informações trimestrais referentes aos três primeiros trimestres, além de falhas na apresentação das demonstrações financeiras e documentos da Assembleia Geral Ordinária (AGO). No ano seguinte, as multas continuaram, abrangendo atrasos nas informações trimestrais e outros documentos relevantes.

Em 2024, as penalidades se repetiram, novamente relacionadas a atrasos nas entregas de informações trimestrais e documentos do formulário de referência, que fornece dados essenciais sobre a empresa. Para 2025, o cenário não melhorou, com multas sendo aplicadas pelos mesmos motivos de anos anteriores.

O ranking das empresas com maior número de multas aplicadas pela CVM inclui:

  • Hospital Care Caledonia: 26 multas
  • 2W Ecobank: 26 multas
  • Rio Alto Energias Renováveis: 21 multas
  • Cia Industrial Schlosser: 21 multas
  • Inepar Indústria e Construções: 20 multas
  • Blue Tech Solutions EQI: 20 multas
  • Banco de Brasília (BRB): 19 multas
  • Contax Participações: 19 multas
  • Cia Tecidos Santanense: 19 multas
  • Anemus Wind Holding: 18 multas

A situação do BRB é um reflexo preocupante da necessidade de maior rigor na governança corporativa e na transparência das informações financeiras. A pressão por resultados e pela regularização das pendências com a CVM se intensifica, à medida que o banco busca estabilizar sua situação financeira e reconquistar a confiança dos investidores.