O jornalista Oswaldo Eustáquio fez sérias alegações contra a senadora Damares Alves (Republicanos), afirmando que ela teria arquitetado sua prisão em dezembro de 2020. A acusação remonta a um encontro que ocorreu no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, onde Eustáquio se apresentou em meio a restrições judiciais, pois estava sob prisão domiciliar e utilizava tornozeleira eletrônica.

Na época, o jornalista necessitava de autorização da Central Integrada de Monitoração Eletrônica (CIME) para se deslocar de sua residência. Segundo Eustáquio, a reunião que inicialmente deveria ser virtual foi mudada para um encontro presencial, o que gerou a solicitação do ministério para que ele apresentasse documentações que comprovassem a legalidade de seu deslocamento.

Documentos e e-mails revelam que a mudança na forma de reunião ocorreu um dia antes do encontro. O ministério havia cancelado a videoconferência e convocou o jornalista para comparecer fisicamente. Apesar de ter recebido a autorização do CIME para o deslocamento, o gabinete da ministra comunicou à Justiça que Eustáquio estaria descumprindo as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Três dias após a reunião, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Eustáquio, o que levantou uma série de questionamentos sobre a legalidade do ato. O jornalista informou que a reunião foi solicitada para que ele apresentasse denúncias contra o ministro Moraes, o que, segundo ele, seria uma motivação adicional para a armadilha que a senadora teria preparado.

Documentação e Autorização Contestadas

A defesa de Eustáquio protocolou manifestação no STF, sustentando que foram feitos vários contatos com a CIME para verificar a legalidade do deslocamento. Segundo a petição, houve confirmações de autorização para que o jornalista comparecesse ao ministério, e ele foi ao local acompanhado de seu advogado, permanecendo até o final do dia.

O documento também destaca que, apesar de inicialmente ser informado de que não poderia ser ouvido, a situação mudou após novos contatos com o CIME, permitindo que a audiência ocorresse. Eustáquio argumenta que a curta distância entre o ministério e a sede do STF não configura descumprimento das ordens judiciais.

Possíveis Motivações por Trás das Acusações

Além das questões legais, Eustáquio trouxe à tona uma carta que enviou a líderes religiosos, na qual menciona um suposto relacionamento extraconjugal envolvendo Damares Alves e um pastor casado. Ele alega que optou por manter a situação em sigilo inicialmente, mas isso poderia ter gerado represálias e perseguições políticas contra ele.

De acordo com Eustáquio, sua relação com Damares Alves começou durante o governo de transição de Jair Bolsonaro, quando ele atuou na criação das redes sociais da futura ministra. No entanto, divergências internas e o episódio da carta podem ter contribuído para o rompimento da relação entre ambos.

A coluna tentou entrar em contato com Damares Alves para obter sua versão dos fatos, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.