Na terça-feira, 30 de junho, o governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de sanções contra uma rede de contrabando de combustíveis associada ao Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), que é liderado por Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho.
As sanções foram implementadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e pela Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN), entidades pertencentes ao Departamento do Tesouro dos EUA. De acordo com as autoridades americanas, a operação da rede era responsável por financiar as atividades criminosas do cartel, utilizando um esquema complexo que incluía a falsificação de documentos e a criação de empresas de fachada.
Entre os indivíduos sancionados estão Oscar Guillermo Juraidini Silva, considerado o operador financeiro da organização, e J. Refugio Ruiz Villagómez, acusado de contrabando de combustíveis dos EUA para o México de forma ilegal. O Departamento do Tesouro informou que Juraidini utilizava empresas fictícias para disfarçar as operações do cartel e facilitar a entrada de combustíveis no México sem o pagamento devido de impostos.
As sanções também recairam sobre nove empresas relacionadas ao esquema, abrangendo setores como transporte, logística e serviços financeiros. Essas ações visam enfraquecer a estrutura financeira do cartel, que, segundo estimativas, gera dezenas de milhões de dólares anualmente.
A FinCEN, em sua ação paralela, emitiu um alerta às instituições financeiras sobre padrões de movimentações suspeitas vinculadas ao contrabando de combustíveis. O documento aconselha bancos a reavaliarem suas práticas de monitoramento de operações que possam estar conectadas ao denominado 'huachicol fiscal', uma prática que envolve a importação de combustíveis de forma ilegal e a corrupção de autoridades para evitar a detecção.
As autoridades americanas destacam que o contrabando de combustíveis se tornou uma das principais fontes de renda dos cartéis mexicanos, além do narcotráfico. O esquema de contrabando envolve várias etapas, que vão desde o roubo de petróleo no México até a reexportação de combustíveis, como gasolina e diesel, sem o devido recolhimento de impostos.
As sanções foram o resultado de uma colaboração intensa entre diversas agências de segurança dos Estados Unidos, incluindo a DEA, FBI e a Receita Federal, além da Unidade de Inteligência Financeira do México. As investigações apontam que uma parte significativa do combustível comercializado no México pode ter origem ilícita, revelando a profundidade da infiltração do crime organizado nesse setor da economia.




