No dia 31 de agosto de 2026, a administração dos Estados Unidos revelou um conjunto de medidas destinado a apoiar os pecuaristas locais. A iniciativa, nomeada de Ranchers First Initiative, visa não apenas aumentar o rebanho bovino do país, mas também reduzir os preços da carne para os consumidores.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, anunciou o programa em um contexto onde o rebanho bovino nacional se encontra em seu nível mais baixo em 75 anos. Essa queda alarmante foi motivada, em grande parte, por longos períodos de seca e pela diminuição das áreas destinadas à criação de gado.
Com a escassez de animais disponíveis para abate, a oferta de carne caiu, resultando em um aumento significativo dos preços para o consumidor final.
Estratégias do Pacote de Medidas
O pacote de ações apresenta três frentes principais:
- Acesso a Crédito: Expansão do crédito para pequenos frigoríficos, visando aumentar a capacidade de processamento e reduzir a concentração do mercado.
- Preferência na Compra: Garantia de que instituições públicas, como escolas e hospitais, priorizem a compra de carne produzida nos EUA.
- Recuperação de Áreas: Facilitação do acesso de pecuaristas a terras de conservação afetadas por desastres naturais, que poderão ser utilizadas como pastagens.
Essas medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla da administração de Donald Trump (Partido Republicano) para revitalizar a produção de carne nacional e incentivar o crescimento dos rebanhos nos próximos anos.
Contradições nas Políticas de Carne
Entretanto, o anúncio do Ranchers First Initiative ocorre em um cenário contraditório nas políticas de carne do governo Trump. Enquanto o plano visa restaurar a produção local a longo prazo, outras ações facilitam a importação de carne bovina estrangeira, com o intuito de aumentar a oferta a curto prazo e controlar os preços.
A entrada de carne importada pode impactar negativamente a remuneração dos pecuaristas norte-americanos, especialmente em um momento em que o governo tenta incentivá-los a aumentar seus rebanhos. O Brasil se destaca como um dos principais fornecedores de carne bovina para os Estados Unidos, o que intensifica essa disputa comercial.
A necessidade dos EUA de suprir seu mercado favorece, no curto prazo, a compra de carne estrangeira. Contudo, a longo prazo, a proposta de recuperação do rebanho nacional busca minimizar essa dependência de importações.
Além disso, a administração Trump também está pressionando grandes frigoríficos a promover maior concorrência no setor. Entre as empresas que dominam o mercado norte-americano, destacam-se as brasileiras JBS e Marfrig.
Esse novo plano, portanto, pode trazer mudanças significativas para o futuro da pecuária nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que enfrenta desafios substanciais derivados da concorrência externa.




