Na última quarta-feira, 15 de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou a implementação de uma tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras. Apesar dessa medida, uma extensa lista de exceções foi divulgada, beneficiando mais de 2 mil códigos tarifários, que incluem produtos como carnes, café, minérios, insumos farmacêuticos, aeronaves e componentes aeroespaciais.
Os itens que ainda estarão sujeitos à nova tarifa incluem etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar e diversos produtos químicos. A nova medida começará a valer a partir do dia 22 de julho.
A maior parte das exceções está concentrada em uma lista geral de 865 códigos tarifários, utilizados pela alfândega norte-americana para identificar os produtos. Essa lista abrange uma variedade de itens, incluindo carnes bovinas, peixes, café e suco de laranja, além de minérios, couros e madeiras tropicais.
Outro ponto importante é que cerca de 600 códigos referentes a substâncias e insumos destinados exclusivamente à indústria farmacêutica foram isentos. Isso inclui princípios ativos, compostos químicos, vacinas e soros. Além disso, aproximadamente 540 códigos relacionados ao setor aeroespacial também foram excluídos, abrangendo aeronaves civis, motores e outros componentes.
A ordem executiva ainda isenta 11 itens específicos, entre os quais estão açaí, água de coco e hóstias de comunhão, produtos voltados principalmente para fins religiosos.
Além das categorias mencionadas, a determinação também preserva mercadorias inteiras de sobretaxa. Assim, materiais informativos como livros, filmes, fotografias e obras de arte, bem como doações de alimentos, roupas e medicamentos para ações humanitárias, continuam livres da nova tarifa. A medida também se aplica a bagagens de viajantes e produtos de aço e alumínio que já estão sujeitos a tarifas de segurança nacional, conforme estipulado na Seção 232 da legislação americana. Mercadorias que já estavam em trânsito para os Estados Unidos antes da nova medida também estão isentas, desde que registradas para consumo até 29 de julho de 2026.
Segundo o governo do ex-presidente Donald Trump, a tarifa adicional é uma resposta a práticas comerciais que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) considera desleais e discriminatórias, afetando empresas norte-americanas. A tarifa foi apresentada como uma ferramenta de pressão para incentivar o Brasil a revisar suas políticas comerciais.
Em resposta à imposição da tarifa, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que pretende utilizar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que impõem barreiras comerciais unilaterais. O governo também lamentou a decisão dos EUA, destacando que a data de 15 de julho de 2026 será lembrada como um momento negativo nas relações entre as duas nações.
A declaração oficial do governo brasileiro não poupou críticas e atribuiu a responsabilidade pela situação à administração anterior, afirmando que a decisão se alicerça em ações promovidas pela família Bolsonaro, que teriam prejudicado o país em um contexto internacional.




