Mulher grávida resgatada após tortura por parceiro

Uma mulher de 36 anos, grávida de alto risco, foi resgatada nesta segunda-feira (24/8) em uma granja situada no Distrito Federal, após ter sido mantida em cárcere privado e submetida a torturas por seu companheiro. O autor dos abusos, Rafael Sousa Rios, de 37 anos, é o pai da criança e foi preso em flagrante durante a operação policial.

A vítima, que estava em seu sétimo mês de gestação, relatou que não conseguia resistir às agressões, especialmente devido à sua condição de saúde. A gravidez, marcada por complicações, a impedia de manter relações sexuais, o que gerou ainda mais violência por parte de Rafael. Ele não só a agredia fisicamente, mas também a submetia a torturas psicológicas.

Condições alarmantes de saúde e controle absoluto

Durante o tempo em que esteve sob o controle do parceiro, a mulher não pôde realizar o acompanhamento médico necessário, resultando em preocupações crescentes sobre a saúde do bebê. Após o resgate, exames revelaram que os batimentos cardíacos da criança estavam acima do normal, levando a um atendimento médico emergencial.

O delegado-chefe da 24ª DP, Fábio Luz de Farias, informou que as agressões incluíam atos de tortura, como o uso de cera de vela quente aplicada nas pernas da mulher durante os abusos sexuais. Além disso, Rafael teria gravado alguns dos atos para chantagear a vítima emocionalmente.

Histórico de violência e isolamento

O relacionamento entre Rafael e a vítima começou em Goiânia, antes de se mudarem para o Distrito Federal, onde viveram por cerca de nove meses. Neste período, o comportamento violento de Rafael se intensificou, resultando em relatos de agressões em outras propriedades onde o casal residiu.

A investigação revelou que Rafael já possuía um histórico de violência doméstica, tendo sido alvo de ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha em seu estado natal, o Maranhão. O controle que ele exercia sobre a mulher incluía a destruição de seu celular, impedindo-a de comunicar-se com amigos ou buscar ajuda.

Resgate e consequências legais

A denúncia anônima que possibilitou a ação policial foi recebida em 17 de agosto e, após investigações, a localização do imóvel foi confirmada. Ao chegarem à granja, a polícia encontrou a mulher em condições alarmantes. Rafael foi detido e, após a audiência de custódia, sua prisão preventiva foi decretada. Ele enfrentará sérias acusações, incluindo cárcere privado, injúria, lesão corporal, dano qualificado e estupro.

A mulher, após o resgate, recebeu apoio de seus familiares e está sob cuidados médicos, enquanto as autoridades continuam a investigar o caso e a fornecer assistência necessária.