Reflexão e Arte no Cotidiano
A Estação Sumaré, localizada no coração da zona oeste de São Paulo, abriga uma das mais icônicas obras de arte do metrô paulistano, criada pelo artista Alex Flemming. Desde sua inauguração em 1998, o projeto não apenas enriqueceu o espaço urbano, mas também estabeleceu uma conexão emocional com os usuários do transporte público, que frequentemente compartilham suas impressões e perguntas com o artista.
Flemming, que sempre teve um apego especial pela obra, revelou em entrevista que recebe, até hoje, mensagens de admiradores. “Fico muito contente em ver que as pessoas ainda se lembram e apreciam”, comentou.
A Gênese da Obra
O conceito para a instalação surgiu no final dos anos 1980, quando o artista participou de um concurso público que buscava integrar arte nas novas estações de metrô. Ele percebeu que a estrutura da estação, com seus vidros e iluminação, poderia servir como um canvas para retratar a diversidade da população paulistana. “Monte um pequeno estúdio fotográfico no MASP e convidei pessoas de várias origens étnicas para serem fotografadas”, explicou Flemming.
As imagens capturadas foram acompanhadas por poesias de renomados autores brasileiros, abrangendo um arco temporal de cinco séculos. As escolhas literárias refletem momentos significativos da história do Brasil, começando com José de Anchieta, do século XVI, e culminando com Haroldo de Campos, do século XX.
Uma Experiência Poética
As poesias estão dispostas de forma inovadora e não convencional, utilizando letras em estêncil que desafiam a leitura imediata. “Quero que as pessoas decifrem o outro. Todos nós carregamos poesia dentro de nós”, disse o artista. A ideia é incentivar a reflexão e a empatia entre os passageiros, promovendo uma conexão mais profunda com o próximo.
Os rostos retratados foram escolhidos com base em um único critério: a diversidade. Flemming incluiu na obra pessoas comuns, como um segurança do museu e até sua própria foto, enfatizando a importância da representatividade.
A Relevância da Obra na Cidade
Desde sua inauguração, a obra de Flemming se tornou um marco no cotidiano dos usuários do metrô. O curador de arte Baixo Ribeiro, amigo e colega do artista, destacou que a instalação não é apenas uma obra pública, mas um elemento que criou laços afetivos com a população. “As pessoas esperam chegar à estação para vivenciar aquele momento de introspecção visual”, afirmou Ribeiro.
Particularmente, a Estação Sumaré se destaca pela sua proposta estética e social. Inaugurada em 1998, a estação foi projetada para estar integrada ao viaduto da Avenida Doutor Arnaldo, e a obra de Flemming ocupa os painéis de vidro nas plataformas de embarque. Composta por 22 fotografias e acompanhada de poesias, cada uma das imagens mede 2,18 m² e é resultado de uma técnica de serigrafia meticulosa.
Um Impacto Duradouro
Inclusiva e reflexiva, a obra ganhou destaque, especialmente durante a pandemia, quando o artista cobriu os rostos das fotos com máscaras como um gesto de conscientização. Passageiros como o montador de móveis Odair Silva e o procurador Rodrigo Vicente expressaram como a obra proporciona um momento de pausa em meio à agitação do dia a dia. A arte, para eles, oferece uma oportunidade de reflexão e leveza, ajudando a suavizar a rotina.
Conclusão
A obra de Alex Flemming na Estação Sumaré continua a ser uma fonte de inspiração e reflexão, demonstrando que a arte tem o poder de atravessar gerações e criar conexões duradouras. Com 30 anos de história, a instalação não é apenas uma parte do metrô, mas um verdadeiro patrimônio cultural de São Paulo.




