O escritório de advocacia Barci de Moraes negou categoricamente que os filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenham feito qualquer solicitação ou recebido ingressos VIP para um jogo do Atlético-MG na Arena MRV, em Belo Horizonte. A declaração foi divulgada na quarta-feira (2 de setembro de 2026) e contradiz informações reveladas em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
As mensagens, que indicam que Vorcaro teria intermediado a obtenção dos ingressos para os advogados Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, motivaram a declaração do escritório. Segundo a nota, os convites mencionados nas conversas referiam-se a um “evento solidário na arena MRV” e, de acordo com eles, “jamais foram solicitados ou recebidos por nenhum dos filhos” do ministro.
Detalhes das Mensagens Reveladas
Um dos trechos do relatório da PF, datado de 12 de maio de 2024, mostra que Vorcaro enviou uma mensagem a Ana Matos, funcionária da área de marketing do Banco Master, informando que a filha de Alexandre de Moraes entraria em contato. Ele se referiu a ela como Giuliana e pediu diretamente: “Arruma pra ela”. Ana respondeu afirmativamente e logo em seguida, Vorcaro comunicou que a filha havia recebido um ingresso VIP, mas que desejava sentar-se ao lado do irmão, Alexandre, que não possuía o mesmo tipo de ingresso.
Vorcaro, então, fez questão de que ambos os irmãos fossem colocados juntos na ocasião, solicitando que “coloca eles em boa mesa”. Contudo, o relatório da PF não esclarece a origem do pagamento dos ingressos nem os valores envolvidos.
A Investigação da Polícia Federal
Essas informações fazem parte de um extenso relatório de 218 páginas da PF, que foi elaborado com base na análise do celular apreendido de Daniel Vorcaro durante a operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. A operação visa investigar possíveis fraudes relacionadas à venda de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB (Banco de Brasília).
O relatório foi solicitado pelo ministro André Mendonça, do STF, com o intuito de identificar uma possível rede de influências associada a Vorcaro. A PF apresentou o documento em 27 de agosto de 2026. O conteúdo do relatório foi revelado ao público na terça-feira (1º de setembro de 2026), após a decisão de Mendonça de retirar o sigilo da ação.
Implicações e Repercussões
A situação gerou um clima de tensão no cenário político e judicial, com muitos questionando a relação entre Moraes e Vorcaro. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) já fez um chamado para uma “apuração rigorosa” sobre a conexão entre os dois, indicando a gravidade das alegações.
As mensagens, que muitas vezes usam o recurso de visualização única do WhatsApp, limitam a compreensão total das conversas, especialmente nas interações com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A PF ressalta que a análise não é exaustiva, indicando que outras referências podem ainda não ter sido descobertas.
Conclusão
A negação do escritório de advocacia Barci de Moraes levanta questões sobre a transparência das relações envolvendo figuras públicas e a ética na condução de negócios. A investigação da PF continua, e a sociedade aguarda por mais esclarecimentos sobre as denúncias que envolvem o nome do ministro e sua família.




