A revista britânica The Economist publicou em sua edição mais recente uma análise intrigante sobre o futuro da Embraer, empresa brasileira reconhecida na fabricação de aeronaves. A publicação sugere que a companhia pode estar à beira de um novo capítulo, enfrentando as titãs do setor, Airbus e Boeing.

De acordo com a matéria divulgada na quinta-feira (30/7), a demanda pelos modelos da Embraer, que já é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, tem experimentado um crescimento significativo. Essa alta na procura abrange não apenas os aviões de passageiros menores, mas também jatos executivos e aeronaves militares.

Desde o início de 2021, as ações da Embraer tiveram um aumento impressionante, multiplicando seu valor por dez. Este desempenho superou em larga escala o crescimento das ações da Airbus e da Boeing, o que levanta especulações sobre o potencial da empresa em diversificar sua linha de produtos.

A análise da revista aponta que, considerando o bom desempenho no mercado, a Embraer poderia avaliar a possibilidade de desenvolver aeronaves maiores, posicionando-se diretamente contra as líderes de mercado, Airbus e Boeing. A necessidade de inovação é evidente, especialmente com as duas gigantes planejando lançar novos modelos de aviões de fuselagem estreita no final da década de 2030.

Outro fator que contribui para o crescimento da Embraer é o tempo de espera que os clientes enfrentam ao adquirir aeronaves da Airbus e Boeing, que é de aproximadamente oito anos. Isso tem levado muitos a optar pelos jatos E2 da Embraer, que podem ser entregues em um prazo de dois anos.

No entanto, a The Economist também alerta que essa empreitada pode ser arriscada. O exemplo da canadense Bombardier, que enfrentou a falência após tentar competir com as gigantes do setor, serve como um lembrete das dificuldades que vêm com a expansão da produção. Para desenvolver um novo jato comercial em grande escala, a Embraer precisaria investir cerca de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 50,7 bilhões).

A Embraer foi fundada em 1969 pelo governo brasileiro como uma sociedade de economia mista e, em 1994, foi privatizada. Atualmente, suas aeronaves estão em operação em mais de 100 países, prestando serviços a mais de 60 governos e forças armadas ao redor do mundo. Com um histórico sólido e uma possível nova fase no horizonte, a Embraer pode estar se preparando para um desafio significativo no setor da aviação comercial.